colunista: Ivana Cristina Colaboração: Gislene Salvatierra Ícones de Brasileia e Epitaciolandia
Francisca Furtado Barroso ou simplesmente Badi, nasceu em Brasileia. Filha de José Barroso Ferreira e Antonieta Furtado de Barroso, ambos cearenses. Seus pais tiveram 14 filhos, 9 mulheres e 5 homens. No parto do seu 14° filho, sua mãe, Antonieta Furtado, faleceu. Deixando Badi e seus irmãos, órfãos. Em pouco tempo, seu pai casou novamente e deixou seus filhos, aos cuidados de sua filha mais velha, Victória. Victória casou-se e junto com seu esposo, criou os 13 irmãos. Suas irmãs eram muito “prendadas” e ajudavam Victória nas tarefas domésticas e nos cuidados com os irmãos menores. Todos cresceram fortes, saudáveis e trabalhadores. Badi e sua irmã Lourdes, formaram-se e foram trabalhar como professoras na Escola Maryknoll em Cobija. Com o tempo, sua irmã Lourdes foi morar no Peru e casou-se. Badi, recebia pouco como professora, mas conseguiu economizar o suficiente para montar seu próprio negócio e abandonou a profissão de professora em Cobija. Com sua visão empreendedora, Badi montou sua primeira lojinha no centro comercial de Brasileia. A Avenida Prefeito Rolando Moreira “fervia” de gente, logo, a loja da Badi ganhou freguesia. Tinha um atendimento diferenciado para cada freguês. Com o passar do tempo, o comércio da Badi se expandiu e foi necessário contratar diversos funcionários para sua loja. Conheci Dona Badi, no final dos anos 80, quando fazia estágio no Banco da Amazônia S.A., era uma mulher franzina, mas de voz firme. Seu comércio era muito conhecido na região. Tinha muitos fregueses, principalmente bolivianos. O comércio da Badi gerava muitos empregos para os jovens da nossa região. Poucos comércios eram tão sortidos de mercadorias quanto o da Badi, o que procurava, lá encontrava, de roupas, sapatos, tecidos(na época era chamado de fazenda), cueiros, esmalte(cutex), produtos como: alma de flores, leite de rosa, brilhantina(estava na moda usar nos cabelos), minancora, desodorante (extrato), artigos de armarinhos, dentre outros. Dona Badi era uma empresária muito exigente. Exigia de seus funcionários: pontualidade, assiduidade, organização e atendimento especial ao cliente. Não conseguia ver seus funcionários parados. Quando não tinham nada para fazer, Badi derrubava as mercadorias das prateleiras e mandava organizar tudo novamente ou pedia para separar os milhares de botões que tinha, por tamanhos, cores e valores. A exigência da empresária Badi, fez com que seus funcionários aprendessem a ter responsabilidade e compromisso. Incompreendida por uns, amadas por outros, Dona Badi fez história no empreendedorismo na região. Badi nunca se casou, dedicou sua vida ao trabalho. Com a abertura da zona franca e as constantes “alagações” que assolaram Brasiléia, seu comércio aos poucos foi a decadência, como muitos comércios da rua da frente. Badi partiu deixando saudades nos corações de familiares e amigos. Na antiga loja da Dona Badi, funciona, atualmente, uma “oficina de sapatos” de um boliviano, quase em frente ao Prédio dos Correios, em Brasileia.