Epitaciolândia à própria sorte: moradores cobram respostas em meio ao abandono escancarado VEJA VIDEO

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Reportagem: Helizardo Guerra

Moradores de Epitaciolândia têm demonstrado uma insatisfação cada vez menos disfarçada com o estado da infraestrutura urbana — e, sobretudo, com a notável capacidade do poder público municipal de não apresentar respostas proporcionais à arrecadação de impostos. Entre ruas esburacadas, equipamentos públicos que parecem peças de exposição e uma fiscalização que mais se supõe do que se vê, o cenário beira o surreal administrativo.

Nos relatos populares, a dúvida já não é sussurrada, mas ecoada em tom direto: para onde, afinal, estão indo os recursos públicos?
“Se a gente paga imposto, o mínimo é ver resultado. Do jeito que está, parece que o dinheiro entra em modo invisível e nada melhora”, ironiza um morador, sintetizando o sentimento coletivo.

Infraestrutura: o teste de suspensão diário

Circular pela cidade virou um exercício de resistência mecânica. Buracos disputam espaço com o asfalto (quando ele ainda existe), e a manutenção urbana parece seguir um calendário desconhecido pela população.
“Tem rua que não é via, é obstáculo. O carro passa e deixa peça. E ainda tem quem diga que está tudo sob controle”, comenta outro cidadão, entre a indignação e o sarcasmo inevitável.

Maquinário público: aparição breve e desaparecimento estratégico

Outro capítulo curioso dessa narrativa urbana envolve equipamentos que já tiveram seu momento de glória — geralmente em eventos oficiais, com direito a registro fotográfico — mas que, no cotidiano, parecem ter aderido ao regime de invisibilidade.
“A gente viu na inauguração, sorriram, mostraram tudo… depois disso, nunca mais. Cadê esse maquinário? Virou peça decorativa?”, questiona a população.

Fiscalização: função prevista, prática opcional

No roteiro institucional, caberia ao Legislativo exercer fiscalização rigorosa. Na prática, segundo os moradores, a atuação parece discreta a ponto de se tornar imperceptível.
“Cadê os vereadores? Era pra fiscalizar, né? Porque, pelo que a gente vê, está todo mundo assistindo de camarote”, critica um morador.

Descrença: quando o contribuinte vira espectador

O acúmulo de problemas tem alimentado um sentimento mais profundo: a descrença nas instituições. Para muitos, a sensação é de que as regras não atingem todos da mesma forma — especialmente quem deveria dar exemplo.
“O trabalhador paga imposto, se aperta pra viver, e ainda enfrenta isso tudo. Já quem tem poder parece viver em outra cidade”, desabafa outro cidadão.

Transparência: promessa aguardando execução

Diante do cenário, a população pede o básico — que, ironicamente, parece complexo: transparência, ação e presença efetiva do poder público.
A cobrança é simples e direta: que o dinheiro arrecadado deixe de ser uma abstração contábil e passe a se traduzir em melhorias concretas. Até lá, segue a cidade onde o contribuinte paga, espera… e, ao que tudo indica, continua sendo testado — não só na paciência, mas também na suspensão do carro.