colunista Ivana Cristina
Colaboração: Maria Alda Soares Pacheco
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia
Anália nasceu dia 28 de fevereiro de 1929, no seringal São Francisco, Colocação União, às margens do Rio Purus, município de Sena Madureira. Filha de Antônio Sabino Soares e Maria Francisca de Almeida. Aos 07 anos de idade, ficou órfã de pai, teve que trabalhar cedo para ajudar sua mãe, mas o destino foi implacável com a menina Anália, aos 13 anos ficou sem sua amada mãe. Com a perda de sua mãe, foi morar com sua irmã mais velha, Maria Rodrigues, conhecida por Zefinha e seu cunhado Pedro Rodrigues (ambos eram seus padrinhos). Infelizmente não teve como frequentar a escola, pois precisava trabalhar, para garantir o seu sustento. Órfã, aos 16 anos, casou-se em 30 de outubro de 1945, com Pedro Vitor Damacena. Era costume da época, as meninas casarem muito jovens. Dessa união nasceram três filhos: João Batista Soares Damacena, Lucimar Soares Damacena e Francisco Soares Damacena (Zuca). Após sete anos de casados, o casamento chegou ao fim.
Com a separação, Anália teve que trabalhar muito mais para sustentar seus filhos, uma mulher que cedo perdeu a proteção e o amor de seus pais, precisava ser firme, forte e determinada, por seus filhos e por ela.
Seu coração estava fechado para o amor, quando conheceu o “galã da região”, Francisco Pacheco. Ele era um homem bonito, “vistoso” e paquerado pelas mocinhas da região. Mas, depois que conheceu Anália, ele só tinha olhos para ela. Foi amor à primeira vista e apesar da sua relutância inicial, ela não resistiu aos encantos dele.
Em fevereiro de 1953, casaram informalmente. Francisco Pacheco era um homem trabalhador, responsável e amoroso. Anália se sentia segura, protegida e amada por ele. Ela cuidava dos afazeres domésticos e dos filhos: Edimar Soares Pacheco (Pojoca), Francisco Soares Pacheco (Chaga), Edimires Soares Pacheco(Nega), José Soares Pacheco, Maria Alda Soares Pacheco, Manoel Messias Soares Pacheco, Edigar Soares Pacheco, Deuzimar Soares Pacheco e Maria José Soares Pacheco. Apesar de todas as dificuldades que a vida difícil no seringal lhe proporcionou, ela teve a honra de construir com muito capricho e competência uma família linda, honesta e trabalhadora. Mãe de 12 filhos, sempre foi uma defensora incondicional deles, uma leoa, educou-os com amor e dedicação.
Após 57 anos de convivência, Anália e Pacheco decidiram pedir a bênção de Deus sobre suas vidas, realizando o Sacramento do Matrimônio em 27 de fevereiro de 2010, data em que ela comemorava seus 80 anos.
Anália ao longo de sua vida, realizou mais de 60 partos, era uma parteira afamada na região e desempenhava sua função com maestria.
Anália gosta de reunir toda a família à mesa, gosta de viajar, conheceu muitos lugares do Brasil, participou do Bloco Maracangalha, no carnaval de 2004, 2005 e 2006. Aliás, ela ama dançar. Quando dança, o som da música embala os sonhos e traz recordações do passado. Recordações do seu grande amor, Francisco Pacheco, que partiu aos 83 anos, deixando o coração enlutado de Anália e sua família.
Hoje, aos 97 anos, está impossibilitada de viajar e dançar. Seu lazer preferido é assistir a TV Canção Nova e Pai Eterno. Renovando sua fé a cada dia.
Cercada pelo amor dos seus filhos, noras, seus 32 netos, 51 bisnetos, 20 tataranetos e 01 pentaneto. Anália é uma guerreira, a matriarca da família Pacheco. Uma das famílias mais tradicionais e conhecidas na região.