Uma Vila, agora Epitaciolandia

ICONES DE BRASILÉIA E EPITACIOLANDIA POR IVANA CRISTINA
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COLUNISTA: Ivana Cristina
Ícones de Brasileia e Epitaciolândia

Vila Epitácio sempre teve seus encantos! Lembro da brisa suave que nos presenteava com o frescor da manhã! E ao amanhecer, Dona Esmeralda vendia seu pão de milho no leite de castanha, por “taia”, feito na tampa da panela, na Avenida Santos Dumont! Lembro que Dona Maria Flores fazia “quitutes deliciosos”, a Dona Adelaide do Zé Rebouças preparava quibes de arroz e broa como ninguém, o leite fresquinho, vendido pelos filhos do Zé Chofer, pão quentinho vendido pelo Seu Chico Fiesca e até meu pai que vendia querosene, recordo com carinho.
Mas, à noite, era agitada na pequena Vila! A Boate Tropical do Pimenta fazia a alegria da moçada! Era cada festa mais linda que a outra! As moças mais “glamourosas” corriam para comprar roupa nova na Boutique Jucy, da Olinda, esposa do Pimenta! Era cada baile memorável! A Dona Mucuim vendia espetinho na frente da boate, o cheiro era convidativo.
Mas, era na festa de “Vim janeiro”, de São Sebastião, que a alegria era completa. Quem não se lembra das festas na Boate do Abdias(ao lado da atual delegacia)?
Como esquecer das festas no Bar do Cotovelo, que segundo os antigos “pagavam para entrar e rezavam para sair” e que até hoje, se mantêm de pé!
Como esquecer do forró da Florzinha, o point dos alunos da Escola Kairala!
Como não lembrar do Forró do Balseiro, na Avenida Internacional, cuja luz negra era envolta em um papel celofane!
E o forró do Periquitinho, no Bairro Liberdade, palco de muitas lutas de “vale tudo”!
Mas, nenhum clube teve seu apogeu na década de 80 como Boate Tropical. Aos domingos tinha a “Boateca” para os menores, depois, Baile para os adultos ao som do Embalo 6, Hernane, Netinha e Cia fizeram a alegria de muitos casais apaixonados! Havia festival de Chopp e algumas canecas eram vendidas ao público(a mesma que vemos na imagem era uma delas), hoje, essas canecas são relíquias!
A Discoteca Sanny embalou muita gente, mas tinha uma concorrente à altura, a Discoteca Babicuara! A moçada ia a pé, da Vila, até Brasileia, enfrentando lama e poeira na ladeira. Atravessavam de catraia à noite, somente para dançar e paquerar os brotinhos no Babicuara! Quantas meninas fugiram de seus pais para essas festas! Perigo? Só do “pegazunha” ou de assombração!
Ah, tempos áureos!
Uma saudade bate quando eu olho a caixa d’água da antiga SANACRE. Ela continua de pé, imponente, igual as majestosas mangueiras que permanecem ao seu lado. Do alto, elas vêm tudo e no entardecer dos dias, olham Epitaciolândia mudar, mas recordam com saudades o passado! Um passado tão presente em nós!