Ramal do Rio Zinho: entre o barro, as promessas e os desabafos — munícipes cobram um prefeito que só aparece no discurso VEJA VIDEO

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Reportagem: Helizardo Guerra 

Os desabafos dos munícipes de Epitaciolândia seguem se multiplicando nas redes sociais, acompanhados de fotos e vídeos que dispensam legenda. São registros feitos tanto por quem votou quanto por quem não votou no prefeito reeleito, mas que agora compartilham o mesmo sentimento: a frustração. Segundo os moradores, a situação “fica cada vez pior”, enquanto as soluções seguem sempre adiadas para a próxima visita técnica, para o próximo engenheiro chamado verão ou, quem sabe, para o próximo prefeito que será empossado em breve e talvez faça alguma coisa, já que a Secretaria de Planejamento parece limitar-se a colocar futuras ações apenas em planilhas.

No ramal do Rio Zinho, a cena é velha conhecida e se repete ano após ano. Sai verão, entra verão, e a promessa de melhorias parece continuar atolada no mesmo barro que prende veículos e moradores. Para os munícipes, o prefeito Sérgio Lopes segue ausente quando o assunto é o ramal, como se o problema fosse sazonal demais para merecer atenção permanente.

A preocupação aumenta com a proximidade do início das aulas. Pais relatam o risco diário enfrentado pelas crianças que precisam atravessar trechos críticos do ramal, muitas vezes em veículos improvisados e inseguros, como a conhecida “marruá”, frequentemente lotada de estudantes. “É um perigo”, afirmam os moradores, que temem que o descaso termine em tragédia antes de qualquer providência oficial.

Em tom de ironia, alguns munícipes questionam até quando os registros feitos com celulares serão o único instrumento de cobrança para que o Ministério Público tome providências. Outros vão além e pedem socorro aos jornalistas da região do Alto Acre, cobrando uma postura menos alinhada ao discurso oficial e mais próxima da realidade enfrentada por quem vive longe do asfalto e das promessas de campanha.

Enquanto isso, as imagens continuam circulando, os desabafos se acumulam e o ramal do Rio Zinho segue como símbolo de um problema que atravessa estações, mandatos e discursos. Para os moradores, o protesto já não é mais político — é uma tentativa de sobreviver à rotina do abandono.