São Sebastião, Padroeiro de Epitaciolandia

ICONES DE BRASILÉIA E EPITACIOLANDIA POR IVANA CRISTINA
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colunista :
Ivana Cristina
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia

20 de janeiro, dia de São Sebastião, comemoração ao padroeiro de Epitaciolandia, que começou há muito tempo atrás.
A pequena Vila Epitácio era apenas uma rua(Av. Santos Dumont)coberta por uma areia fininha, quente, que afundava os pés, poucas casas e a pequena igreja de madeira, pintada de azul. Uma pequena imagem de São Sebastião estava instalada próximo ao altar.
Em meados de 1950, chegou um nordestino, devoto de São Sebastião e com sua esposa e filha, fizeram a primeira procissão em homenagem ao padroeiro. A procissão saiu da Escola Brasil Bolívia até a Igrejinha de São Sebastião (hoje, no local funciona a área de preparação de comidas para o arraial), a porta da igreja era voltada para a rua, onde existe a atual igreja era apenas um campo recheado de matos.
Os poucos moradores ficaram admirados com aquela família, composta por apenas três pessoas realizarem a 1° procissão. No ano seguinte, foi diferente, outros devotos se juntaram àquela pequena família na procissão. A fé no Padroeiro São Sebastião se propagou entre brasileiros e bolivianos.
Na década de 80, a Festa de São Sebastião alcançou seu apogeu. A cidade se preparava com barraquinhas de roupas, perfumes, flores, comidas, bebidas, jogos(cholita, tiro ao alvo, dentre outros), pescaria, parques com a famosa roda-gigante, a monga e outras atrações. Havia festa para todos os gostos do forró do Cotovelo a Boate Tropical. A Boate Tropical era o point de encontro dos amigos, que admiravam uma boa música, tocada pelo Embalo 6, na voz inconfundível da Netinha.
O pessoal trabalhava na colheita da castanha para gastar seu suado dinheiro na festa de “vim janeiro”, como dizem os mais antigos. A pequena Vila se iluminava, as ruas eram tomadas por turistas e pelos famosos “marreteiros”. A igreja realizava seu tradicional bingo de galinha, pudim e bolo, venda de comidas típicas e o novenário. A procissão percorria a Avenida Santos Dumont com a imagem do padroeiro carregada pelos devotos e acompanhada por milhares de pessoas.
Mas, no final da década de 80, a procissão prosseguia pela rua Dom Júlio Mattioli, quando a imagem de São Sebastião (que era carregada pelos fiéis) tombou e foi ao chão. O alvoroço foi geral, rapidamente a notícia se espalhou. Infelizmente não foi possível fazer o conserto e uma nova imagem foi ofertada pelos bolivianos para a comunidade de São Sebastião. No final do ano, a nova imagem chegou, era maior, mas infelizmente não tinha as “feições” do padroeiro. A rejeição foi geral. Com tantos protestos, o novo padre, encomendou uma nova imagem no Brasil, com a colaboração dos fiéis e doadores anônimos foi possível custear as despesas. Quando a imagem chegou, todos ficaram apreensivos para ver. Ela condizia com a imagem anterior de São Sebastião (a imagem atual).
Da pequena igreja de madeira, que por muitos anos, foi cuidada com todo carinho pelo Senhor Jorge Pedro, a estrutura que tem hoje. A festa do Padroeiro já não é como outrora, mas a fé em São Sebastião continua firme e forte. A comunidade participa do novenário, da procissão e dos arraiais(quem não gosta de degustar uma galinha caipira e tentar a sorte no bingo nas noites de arraial?). Hoje, temos o “bingão” eletrônico com vários prêmios, vale a pena arriscar a sorte!
Dos doadores anônimos à empresários; do ECC aos devotos, que se doam na preparação e venda das deliciosas refeições, ao locutor do bingo e aos jovens que se dispõem a vender cartela de bingo, as irmãs, padres, diáconos, animadores e cantores que colaboram para que a festa do Padroeiro de Epitaciolandia aconteça, meu muito obrigada. “Fui criada” vendo a festa acontecer, toda minha família participava.
Lembro com saudades da minha mãe, Antônia Odete, responsável por abater as galinhas caipiras no arraial e da minha tia, Professora Chaguinha que animava a procissão cantando os hinos dentro de um carro que percorria as ruas de Epitaciolandia. Saudades da minha tia Sebastiana, sentada numa cadeira, em frente a sua casa, para ver a procissão passar e do meu tio Sapito, que frequentava a igreja apenas no novenário. Todos se foram para junto do pai.
Mas, a lembrança de que todos os anos se faz presente na procissão, desde os tempos da minha infância, é do Almir, segurando a imagem de São Sebastião. Lembro com saudades da minha amiga de infância, Francisca Oliveira que, juntas, não perdíamos uma procissão, fizesse chuva ou sol. O tempo passa e deixa doces lembranças. Lembro também do carro do Manoel Oliveira, que transporta a imagem do padroeiro pelas ruas. Que a fé e a tradição católica continue na festa do Padroeiro de Epitaciolandia, São Sebastião.