Promessas atoladas na lama: moradores da zona rural do Ramal Fontenele no Município de Epitaciolândia denunciam abandono enquanto a prefeitura prioriza festas VEJA VIDEOS

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Reportagem: Helizardo Guerra

A revolta dos moradores da zona rural em especial do ramal Fontenele no municipio de Epitaciolândia deixa de ser um simples desabafo para se tornar um retrato incômodo do que eles classificam como o abandono institucionalizado pela atual gestão municipal. Longe do centro e, ao que tudo indica, ainda mais longe das prioridades do poder público, essas comunidades seguem sobrevivendo à própria sorte, sem respostas, sem presença e sem respeito.

Os ramais — quando ainda podem ser chamados assim — simbolizam esse descaso. Em condições precárias e, em muitos trechos, praticamente intrafegáveis, as estradas rurais comprometem não apenas o escoamento da produção agrícola, mas também o acesso à saúde, à educação e à dignidade básica. No período chuvoso, o isolamento deixa de ser exceção e passa a ser regra, evidenciando a ausência crônica de manutenção, planejamento e, sobretudo, vontade política.

A lista de queixas se estende: falta de iluminação pública, atendimento de saúde rural insuficiente e a completa inexistência de políticas voltadas ao pequeno produtor — justamente aquele que sustenta boa parte da economia local. Para esses moradores, o produtor rural é lembrado apenas nos discursos de campanha; depois das eleições, volta à condição de invisível.

Promessas feitas com entusiasmo eleitoral seguem arquivadas no esquecimento administrativo. O sentimento predominante é de frustração, alimentado pela repetição do mesmo roteiro: discursos, compromissos públicos e, na prática, nada além do abandono.

Enquanto isso, o contraste salta aos olhos. Recursos públicos são direcionados a festas, eventos e ações de impacto momentâneo na área urbana, como se o município terminasse onde acaba o asfalto. Para quem vive no campo, a mensagem é clara: há dinheiro para o espetáculo, mas não para o básico.

O desabafo dos moradores da zona rural é mais do que uma crítica — é uma cobrança direta por respeito. Eles exigem presença do gestor, diálogo verdadeiro e políticas públicas que reconheçam o papel fundamental do campo no desenvolvimento do município. Até lá, permanece a amarga constatação: para a atual gestão, o campo só existe em período eleitoral. Depois da apuração das urnas, volta a ser convenientemente esquecido.