Gestão no escuro: enquanto o poder público some, moradores aprendem a sobreviver VEJA FOTOS E VIDEO

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Reportagem: Helizardo Guerra

Enquanto os discursos oficiais seguem bem iluminados em palanques e redes sociais, a realidade nas ruas do bairro Liberdade, na Rua Beira Rio, em Epitaciolândia, conta outra história — literalmente às escuras. A ausência de iluminação pública tem transformado vias inteiras em corredores de insegurança, abandono e medo, um cenário denunciado há tempos por moradores que já perderam a conta das promessas não cumpridas.

Quem vive na comunidade sabe: quando o sol se põe, o poder público também se apaga. Lâmpadas queimadas, postes inoperantes e uma escuridão que não é apenas física, mas também administrativa. Reclamar virou rotina; solução, artigo de luxo.

A prefeitura, por sua vez, parece tratar a iluminação pública como mero detalhe decorativo — algo opcional — enquanto as secretarias responsáveis demonstram notável habilidade em ignorar protocolos, pedidos formais e, principalmente, a obrigação legal de garantir segurança e dignidade aos cidadãos.

E os vereadores, eleitos justamente para fiscalizar e cobrar providências? Permanecem assistindo de longe, confortavelmente iluminados, enquanto a população tropeça no abandono. O silêncio da Câmara ecoa mais alto do que qualquer lâmpada que nunca foi trocada.

Não se trata de favor, tampouco de exigência exagerada. Iluminação pública é direito básico, previsto em lei, pago pelo contribuinte e sistematicamente esquecido pela gestão municipal. O escuro nas ruas revela, na verdade, a falta de vontade política em acender soluções concretas.

Até quando a comunidade terá que conviver com a escuridão e com a sensação de que o município só funciona quando convém a quem governa? Porque, ao que tudo indica, para a atual gestão, problema só existe quando aparece na foto — de preferência, bem iluminada.