Ivana Cristina
Colaboração: Olinda Gadelha, Dino Gadelha e Gislene Salvatierra
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia
Seu nome de batismo é Francisco Pinheiro Gadelha, mas todos o conheciam por “Chico Dino”, nascido em 26 de julho de 1924 em Jaguaribe no Ceará, um nordestino do “pé rachado”. Filho de Francisco Dino Gadelha e Edite Pinheiro Gadelha.
Veio para Amazônia em 1942, na Segunda Guerra Mundial, como Soldado da Borracha.
Belém do Pará, foi seu primeiro destino, depois de algum tempo, chegou ao Acre e se instalou no município de Brasiléia exercendo a profissão de seringueiro no Seringal Quixadá. Enfrentou inúmeros desafios: a mata era densa, o serviço no corte da seringa exigia paciência e coragem, os animais como o bando de queixadas e a onça pintada matavam os “brabos”, além de doenças como a malária.
Chico Dino enfrentou todos os perigos com fé, força e trabalho para vencer os desafios que a floresta acreana impunha.
Chico Dino ficou encantado por uma menina linda, Olinda! Dava gosto de olhar “tanta formosura”. Namoraram e casaram em 1957. Após o casamento, moraram por 10 anos no Seringal, Nazaré, na Bolívia. Eles tiveram 04 filhos: Carlos, César, Dino e Clécio.
Vieram morar em Brasileia, onde arrendou por alguns anos, o Seringal São João.
Após a desapropriação dos seringais para o governo federal – INCRA – , a família veio se estabelecer na cidade de Brasileia.
Sua bela esposa, Olinda Gadelha exercia a profissão de Professora e teve uma trajetória política brilhante, foi Vereadora e Prefeita de Brasileia, em uma época em que poucas mulheres ousavam ocupar um cargo público! Olinda foi ousada, ao seu lado, Chico Dino, um casal além do seu tempo.
Chico Dino exerceu a função de comerciante e construiu o Bar e Boate “O Babicuara”. O Babicuara era o point da garotada. Famoso na década de 80! A missa terminava e os jovens corriam para lá. Mas, tinha o Bibiano! Bibiano colocou muitos jovens (menores e desacompanhados dos pais)para correr do Babicuara. Quando o pessoal via o Bibiano, a correria era geral.
O Babicuara teve seu apogeu e sua decadência.
Chico Dino era carnavalesco.
Ele não precisava de “aparelhagem de som”, bastava uma fantasia e ele saía pelas ruas de Brasileia pulando carnaval, sua alegria era contagiante. Chico Dino era um folião das antigas, um homem simples, carismático, capaz de arrastar multidão pelas ruas. As pessoas se divertiam, era só alegria.
Carnavalesco por natureza reconstruiu o Sport Club Brasília, sendo Presidente por muitos anos.
No final da tarde, Chico Dino passava com sua Monark anos 70, com uma enxada na garupa para sua colônia na parte alta da cidade. Amava o contato com a terra, capinar era mais que um hobby, era um escape da rotina diária.
Chico Dino foi seringueiro, comerciante, agricultor e o maior e melhor “primeiro damo” que Brasileia já teve. Era um homem simples, honesto, trabalhador, de aparência frágil, mas de uma força inexplicável. Muito amado e admirado pela população de Brasiléia.
Olinda Gadelha foi morar no Rio Grande do Norte, ele ficou morando 6 meses lá e 6 meses em Brasileia.
No dia 29 de outubro de 2008, Chico Dino nos deixou, aos 84 anos de idade, vítima de acidente de trânsito, foi atropelado ao atravessar uma avenida no Rio Grande do Norte.
Em seus últimos momentos de vida, cantou igual a um passarinho, as suas músicas preferidas: Asa Branca, Me dá um dinheiro aí e Trem das onze!
Chico Dino foi e sempre será o maior e melhor folião que Brasiléia já conheceu.