colunista: Ivana Cristina
Colaboração: Jacqueline Generoso e Gislene Salvatierra
Ícones de Brasileia e Epitaciolândia
Carlos Henrique Siqueira de Oliveira, mais conhecido como Henrique Generoso, nasceu em 14 de agosto de 1952, em Cruzeiro do Sul, Acre. Filho de José Generoso de Oliveira e Raimunda Siqueira de Oliveira. Seu pai tive 14 filhos. Desde criança sempre teve uma paixão pela comunicação. Brincava de locutor, narrando as brincadeiras das outras crianças do bairro. Começou a trabalhar cedo, aos 12 anos de idade, teve a oportunidade de trabalhar no cinema, em Cruzeiro do Sul, uma paixão de vida.
Em 1976, veio morar com seu irmão Maurício Generoso, na época Delegado da Polícia Civil de Brasileia, residindo em Vila Epitácio. Convidado por uns amigos, foi para uma pequena ponte(que existia em frente a Casa da Gorete e do Zé da Ponte), esperando as meninas saírem da Escola Kairala (hoje, Escola Getúlio Vargas). Os rapazes ficavam paquerando as meninas, na ponte. Henrique viu uma linda morena passar. Ela tinha um sorriso encantador e tímido. Ele ficou encantado.
-Ela é filha do Zeca Teixeira! Falou um amigo, vendo o interesse de Henrique por ela. Zeca Teixeira era um grande comerciante na época, conhecido por todos.
No início , Francisca, mas conhecida por Nega, não deu muita atenção ao interesse do Henrique, pois tinha namorado. Quando seu namoro acabou, após alguns meses, Nega resolveu namorar com Henrique, após inúmeras tentativas.
Em 1977, Francisca Alves de Oliveira casou-se com Henrique Generoso. No início, a vida não foi fácil para esse jovem casal. Henrique começou a trabalhar na rádio fonia da Delegacia Civil de Brasiléia. Gostava da função, amava comunicação. Com o tempo, surgiu a oportunidade para trabalhar como Policial Civil e ele executou seu trabalho com dedicação e empenho.
Mas, apesar da dedicação ao trabalho, Henrique não se sentia realizado.
Brasiléia não tinha uma rádio local. Os moradores escutavam o Programa da Rádio Nacional de Brasília, na voz de Márcia Ferreira e Adelson Moura.
Na administração da Prefeita Olinda Augusta Gadelha, houve uma campanha de conscientização para a criação de uma rádio local. A comunidade se reuniu com lideranças políticas e organizaram bingos, leilões e doações para à compra dos equipamentos da emissora. Em 1973, a Rádio Educadora 3 de Julho foi fundada em Brasileia. Seu diretor e locutor foi Genário Amorim. Depois, Erasmo Ribeiro assumiu a direção da Rádio Difusora 3 de Julho.
Henrique Generoso foi convidado para fazer um programa na rádio, no horário de meio-dia. Ele foi! E estava realizando seu sonho, comunicar. Sua dedicação era tão grande, que foi nomeado diretor da rádio, função que desempenhou por 20 anos. Henrique Generoso, Leonardo Barbosa e Ary Rodrigues, transformaram uma geração, que não perdia um só programa. As pessoas andavam nas ruas e ouviam os rádios a todo volume ligados no interior das casas. Foi a era de ouro da Rádio Educadora 3 de Julho. A rádio ficou tão importante que começou a gerar polêmica, questionavam se ela era do estado ou do município. Foram duas décadas de apogeu.
Henrique e Francisca(Nega) tiveram 04 filhos: Jacqueline Alves de Oliveira, Charles Henderson Alves de Oliveira, Carlos Henrique Siqueira de Oliveira Segundo e Auristela Flávia Alves de Oliveira. Henrique e Francisca foram casados durante 18 anos, se divorciaram, mas continuaram amigos. Henrique sempre acompanhou a criação dos filhos. Seu filho Carlos Henrique, o Gugu, desenvolveu o gosto musical, uma área que seu pai tanto amava. Gugu toca e canta com uma voz firme e impressionante, parecida com a voz de seu pai, que encantou várias gerações.
Henrique Generoso faleceu em 15 de dezembro de 2020, deixando seus filhos, netos, irmãos, amigos e antigos ouvintes com o coração enlutado.
Henrique Generoso fez parte de uma geração de locutores fantásticos que até hoje são lembrados e fazem falta. Todos se foram, inclusive a antiga Rádio Educadora 3 de Julho, que a população ajudou a construir.
Ao locutor Henrique Generoso, um agradecimento especial ao grande comunicador que foi e sua família pela valorização da sua trajetória.