Após anos de promessas, gestão de Epitaciolândia ainda entregara ponte — mas o concreto ficou só no discurso além da falta de iluminação VEJA FOTOS E VIDEOS

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Reportagem: Helizardo Guerra

Após anos de promessas cuidadosamente embaladas em discursos de campanha — e oportunamente revisitadas em períodos estratégicos — os moradores, enfim, receberam uma resposta do poder público municipal. Ainda que, como já se tornou quase tradição, não exatamente aquela anunciada com tanta convicção.

A aguardada ponte de alvenaria, apresentada como solução definitiva para garantir segurança e trafegabilidade, acabou ganhando uma versão, digamos, mais “compatível” com a realidade: uma estrutura de madeira. Isso mesmo. Após mais de anos de espera, as reivindicações insistentes e uma verdadeira peregrinação comunitária, o concreto permaneceu restrito ao campo das intenções — e, claro, dos discursos.

Durante todo esse período, não faltaram garantias de que a obra seria executada “como deveria ser”, com qualidade e durabilidade. No entanto, o que se vê na prática parece seguir um roteiro já conhecido: o da solução improvisada, entregue sob pressão, que resolve parcialmente o problema imediato, mas deixa no ar uma pergunta inevitável — era esse o plano original ou apenas o que foi possível entregar diante da cobrança popular?

É fato que, ainda que tardia, a construção da ponte de madeira devolve aos moradores condições mínimas de acesso e mobilidade. Mas o alívio vem acompanhado de um sentimento difícil de ignorar: a frustração. Afinal, depois de tanto tempo aguardando uma solução definitiva, o que chegou foi uma alternativa provisória com aparência — e risco — de permanência.

No fim das contas, a ponte está lá. Cumpre seu papel, ainda que de forma limitada. Mas também se consolida como símbolo de uma gestão onde promessas robustas, ao atravessarem o tempo, acabam encolhendo antes de chegar à população. Para os moradores, resta a travessia. Para a administração, permanece a dúvida: até quando o improviso seguirá ocupando o lugar do compromisso?