Repórter: Helizardo Guerra
Às vésperas de deixar o cargo para alçar voos mais altos na política estadual, o prefeito Sérgio Lopes caminha para encerrar sua passagem pela prefeitura com um feito digno de nota — ainda que não exatamente pelos motivos que costumam render aplausos.
A gestão, que teve início sob o discurso inflamado de mudança — especialmente nas caminhadas pelos bairros mais esquecidos —, chega ao fim exibindo uma curiosa habilidade: transformar promessas em meras recordações. Na prática, o cenário enfrentado pela população, sobretudo no que se refere à infraestrutura viária, revela uma administração que parece ter adotado uma estratégia no mínimo “inovadora” para lidar com os buracos: a da contemplação permanente.
Passados cinco anos, o asfalto segue, ao que tudo indica, aguardando por dias melhores que nunca chegaram. Ruas esburacadas, trechos intransitáveis e crateras que desafiam até os motoristas mais pacientes tornaram-se marcas registradas de uma gestão que, ironicamente, chegou ao poder criticando exatamente esse tipo de abandono.
No quesito coleta de lixo, o roteiro não perde em consistência. Se antes o problema existia, agora ganhou contornos ainda mais evidentes — e, diga-se, dificilmente ignoráveis. A recorrente tentativa de atribuir responsabilidades a gestões passadas já não encontra o mesmo eco junto à população, que, após meia década, parece ter desenvolvido certa imunidade a explicações recicladas.
E não se trata, ao que tudo indica, de falta de recursos. Apontamentos do Ministério Público sugerem que o problema extrapola o orçamento e esbarra diretamente na condução administrativa — ou, em termos mais diretos, na dificuldade de converter recursos disponíveis em serviços minimamente eficientes.
Entre secretarias que por vezes parecem confundir gestão com improviso e uma condução que flertou com o amadorismo, o saldo é uma cidade que acumula velhos problemas com aparência renovada — e ampliada.
Assim, Sérgio Lopes se despede deixando como legado uma administração que prometeu tapar buracos, mas que, na prática, aparenta ter aprofundado alguns deles. Resta saber se, na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, o eleitorado estará disposto a ignorar os caminhos esburacados que ficaram para trás.