“Gestão terceirizada ao povo: enquanto Sérgio Lopes mira a Assembleia, moradores de Epitaciolândia assumem prefeitura no improviso e no escuro” VEJA FOTO E VIDEO

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Reportagem: Helizardo Guerra

Os moradores de Epitaciolândia parecem ter sido promovidos, sem aviso prévio, à condição de gestores improvisados da própria cidade. Diante da ausência quase protocolar do poder público municipal, a população resolveu assumir funções que, em tese, deveriam ser básicas — como roçar terrenos, instalar iluminação e tentar tornar minimamente trafegáveis ruas que mais se assemelham a trilhas de resistência.

A redação do site De Frente com a Notícia foi novamente acionada por munícipes que, cansados de esperar por respostas, decidiram registrar em vídeos a realidade que enfrentam diariamente: escuridão, insegurança e abandono. Um cenário que, longe de ser novidade, já se tornou rotina — e, ao que tudo indica, institucionalizada.

Em diversos bairros, famílias relatam que sair de casa à noite virou um verdadeiro ato de coragem. Sem iluminação pública adequada, a escuridão não apenas dificulta a mobilidade, mas também amplia os riscos à segurança. Como resposta, moradores passaram a investir do próprio bolso para instalar lâmpadas em postes, numa espécie de “vaquinha da sobrevivência urbana”.

E se a escuridão não bastasse, as vias públicas completam o pacote de precariedade. Buracos, lama e trechos praticamente intransitáveis vêm causando prejuízos constantes, com motos e carros danificados sem qualquer perspectiva de ressarcimento. A sensação é de que o contribuinte paga duas vezes: uma em impostos e outra para tentar consertar o que deveria estar funcionando.

Enquanto isso, o prefeito reeleito Sérgio Lopes parece mirar novos horizontes políticos, ensaiando sua pré-candidatura a deputado estadual. Um movimento que levanta questionamentos inevitáveis: qual exatamente é o legado que se pretende apresentar? Porque, até aqui, o que se vê nas ruas de Epitaciolândia não é exatamente um cartão de visitas — mas sim um retrato de descaso.

A ausência de respostas oficiais só reforça a percepção de abandono. Em vez de explicações ou soluções, o silêncio administrativo ecoa tão forte quanto a insatisfação popular. E assim, entre promessas que ficaram pelo caminho e uma gestão que parece ter perdido o rumo, os moradores seguem fazendo o que podem — enquanto esperam, talvez sem muita esperança, por aquilo que deveria ser obrigação.