Geny de Carvalho Oliveira

ICONES DE BRASILÉIA E EPITACIOLANDIA POR IVANA CRISTINA
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COLUNISTA: Ivana Cristina
Colaboração: Luz Marina e Maria Cecília
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia volume II

Geny de Carvalho Oliveira, nasceu em 16 de novembro de 1937, no bairro Três Botequins, em Brasileia, Acre. Filha de Antônio Nicolau de Carvalho, nordestino, e de Cecília Maria de Carvalho, acreana, nascida em Xapuri.
Além de Geny, eram pais de: Higino Nicolau de Carvalho e Eugênia de Carvalho. Seu irmão, Avelino Gabino de Souza, era filho do primeiro casamento de sua mãe. Geny ainda teve outro irmão, Almir Lopes Feitosa, seu irmão por parte de pai.
Em 1945, aos 08 anos, Geny iniciou seus estudos na Escola Francisco Ângelo da Silveira, que ficava próxima a residência do senhor Deca e da senhora Maria Arthur, no bairro Três Botequins.
O bairro tem esse nome, porque na época existiam apenas três botequins.
Antigamente, tinha o 1° ano atrasado, 1° ano médio e 1° ano adiantado, Geny estudou todos eles com a Professora Antônia Pinheiro Nemetala.
Em 1949 fez o 2° ano, com a Professora Olíria Souza Marques.
Geny amava estudar na sua escola, porém, em 1951, a família teve que se mudar para a Zona Rural, local onde hoje é o bairro Marcos Galvão.
Neste mesmo ano cursou o 3° ano no Grupo Escolar Odilon Pratagi a Professora era Deuzuíte Matos e o 4° ano concluiu em 1952, no Grupo Escolar Getúlio Vargas, a Professora era Caetana Gadelha.
Ao falar da época, Geny lembra com saudades das antigas famílias que residiam no bairro, o senhor Chico Correio, que era carteiro, Dona Genésia, mãe da Maria Severina, Creuza e o senhor Valcírio, Maroca Cardoso, Josefa Araújo (doou uma casa para o seu irmão Higino), Chiquinha Pernambuco, Olívia e o senhor José Pinheiro, Santinha, Silvino(tinha uma espécie de loja com diversos produtos), Maria Feitosa, mãe do Elias Feitosa. Foram pessoas que marcaram sua vida e deixaram ótimas lembranças.
Aos 15 anos, já com o curso primário concluído, continuou com sua família trabalhando nos afazeres de casa, na agricultura e desenvolvendo a habilidade de costurar em uma máquina de costura a mão.
A vida era difícil, mas ela era persistente.
Aos 19 anos, conheceu o amor de sua vida, Francisco Theodoro de Oliveira, apelido “Chico Galvão”. Ele ficou apaixonado pela bela Geny, olhos encantadores, sorriso lindo, gentil e amável. Ela era a princesa que ele esperou por toda vida! Namoraram e casaram.
Foram morar em uma localidade chamada Ajuricaba (Seringal Carmem). A vida no seringal era difícil, muito trabalho e pouco retorno financeiro. Geny ajudava seu esposo na agricultura, cuidava dos afazeres domésticos e costurava em uma máquina manual, a luz de lamparina.
Costurar era um aprendizado diário, mas também um passatempo. Que no futuro, transformou-se em uma fonte de renda.
Após dois anos no seringal, retornaram ao Bairro Três Botequins, residindo novamente por dois anos, até encontrar o lugar ideal no Seringal Carmem, colocação Fé em Deus, propício para cultivar o extrativismo, pecuária e a agricultura.
Agora, Geny era uma costureira profissional e adquiriu sua primeira máquina de pé, companheira nas madrugadas.
Durante o dia ficava cuidando da educação das filhas, dos trabalhos de casa, plantios e colheitas.
Quando suas filhas já tinham idade para estudar, voltaram para a cidade. Precisavam proporcionar uma educação melhor para suas filhas.
Geny estava com 42 anos, quando sua filha mais nova nasceu: Ana Kelly. Ela já era mãe de Luz Marina, Alderina, Mariuza(im memorian), Maria Cecília e Eliana.
Com o nascimento de Ana Kelly, a responsabilidade do casal dobrou. Sem trabalho formal, Chico Galvão trabalhou em um pequeno comércio e depois desenvolveu várias outras atividades para prover o sustento da família.
Geny, já era uma costureira afamada na região, seu trabalho era feito com amor, dedicação e carinho, desenvolvendo um padrão de qualidade. Enquanto seu esposo dormia, cansado da rotina diária, ela permanecia costurando até de madrugada, para ajudar no sustento da família.
Geny não costurava uma simples roupa, costurava sonhos. Quando alguém vestia uma peça feita por suas mãos, via o olhar de suas clientes ganharem um brilho especial. Se sentia realizada, mas o sonho de estudar persistia.
Finalmente, aos 47 anos surgiu uma oportunidade de continuar estudando. Concluiu o 1° Grau em 1984 na Escola Getúlio Vargas e o 2° Grau em 1985 pelo Programa LOGOS II, na Escola Kairala José Kairala.
Formada, ingressou na Secretaria de Educação e Cultura do Acre, construindo uma trajetória brilhante como professora, inicialmente no pré-escolar, depois na segunda, terceira séries e em seguida como Secretária Escolar e Vice Diretora na Escola Manoel Fontenele de Castro, entregando mais de duas décadas de serviço à Educação. Cada ano de trabalho carrega não apenas esforço, mas também o compromisso de transformar vidas por meio do conhecimento.
Ao falar de sua família, sua voz se enche de orgulho. Seus esforços foram recompensados. Suas filhas trilharam caminhos diversos, entre Educação e os Setores Bancário e Empresarial, refletindo os valores que ela cultivou com tanta dedicação e cuidado: o respeito, a honestidade e, sobretudo, a importância do estudo. Esse legado também floresce em suas filhas e netos, que carregam consigo os ensinamentos de uma vida inteira dedicada ao bem.
Hoje, aos 88 anos, professora aposentada, viúva, está sempre na companhia das filhas, netos, bisnetos, tataranetos e amigos.
Geny é uma referência, uma mulher que nunca desistiu dos seus sonhos. Seus sonhos foram adiados, mas nunca esquecidos. Voltou a estudar e mostrou que nunca é tarde para desistir de seus objetivos e atingir suas metas. A trajetória é difícil, mas a vontade de vencer precisa ser maior.
A senhora Geny e sua admirável família, minha admiração e respeito.