Crise em Epitaciolândia: Dança das cadeiras, abuso de poder e debandada em massa ameaçam o futuro político de Sérgio Lopes Por Redação | Epitaciolândia, AC O castelo de cartas da atual gestão municipal de Epitaciolândia parece estar desmoronando sob o peso da arrogância, do centralismo e da falta de diálogo político. O que antes era vendido como um grupo coeso, hoje se apresenta como um navio à deriva, marcado por fofocas, intrigas de bastidores e uma debandada em massa que promete enterrar de vez as pretensões do ex-prefeito Sérgio Lopes de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa como deputado estadual. O Estopim: Duas baixas em menos de um mês A crise interna ganhou contornos públicos e dramáticos com o pedido de exoneração de duas secretárias municipais em um intervalo de menos de 30 dias. Primeiro, foi a saída de Jamiele Albuquerque da Secretaria da Mulher. Que deixou o cargo alegando falta de prioridade nas políticas públicas para as mulheres, mesmo após significativas conquistas pra pasta, trazendo inclusive recursos via Petecao e Eduardo Veloso. Agora, de forma ainda mais bombástica, veio a renúncia de Neiva Tessinari, que comandava a Secretaria Municipal de Planejamento. Nos bastidores, o nome que figura como a peça central e o pivô dessas rupturas é o da atual secretária de Saúde, Marinete Mesquita. Relatos dão conta de que Marinete se intitula uma autoridade que de fato não possui, tentando mandar nos demais secretários da administração. Nos corredores da prefeitura, o apelido já ecoa de forma irônica: “Vice-Prefeita”. Abuso de poder e intimidação: O motivo específico da renúncia da secretária Neiva Tessinari teria sido um episódio lamentável de abuso de poder praticado por Marinete. A secretária de Saúde teria ido até a pasta de Planejamento para intimidar Neiva em tom ameaçador, acusando-a de não ter legitimidade para o cargo pelo simples fato de ter sido nomeada pelo ex-prefeito Sérgio Lopes. A “Invasão” de Brasileia e o descontentamento geral O incômodo dentro da própria gestão é generalizado. Servidores e aliados históricos não escondem o desconforto com a chegada do “clã Mesquita”. Vindos de Brasileia, eles são acusados por lideranças locais de terem chegado e se apropriado do poder em Epitaciolândia, atropelando quem construiu a base do governo. A falta de respeito e o isolamento político estão provocando o desfecho precoce de várias alianças. Quem faz política sabe que o diálogo é a base de tudo, mas a atual gestão parece preferir o monólogo da intimidação. A lista dos que romperam com o grupo: Wagner Davi (Presidente do PSD): Coordenou a campanha de Sérgio Lopes em um momento crítico, quando ninguém do próprio partido quis acompanhá-lo e houve uma debandada geral para a aliança de Everton Soares. Davi ficou sozinho no comando partidário e agora racha publicamente. Ele faz questão de pontuar que saiu por falta de respeito e por não ser aceito, afirmando que o tratamento recebido foi de “adversário” e não de aliado. Eunice Gondim (Ex-secretária de Educação): Uma baixa significativa. Foi afastada do cargo poucos dias após a posse do atual prefeito, Sérgio Mesquita, que nunca escondeu seus problemas pessoais e políticos com Eunice. Wesley (Ex-diretor de Comunicação): Deixou o comando da pasta após rachar politicamente. Em seu lugar, foi nomeada a irmã da proprietária do portal ContilNet Notícias, de Rio Branco, mostrando o claro desalinhamento com a prata da casa. Vereador Rosimar do Rubicon: Tornou-se um adversário ferrenho dos Mesquita. Rosimar acusa o grupo de tramar contra sua reeleição ainda durante a campanha, quando teriam empoderado seu algoz nas urnas, Ricardo Maffi (que acabou ficando na suplência). Crise econômica e o fantasma do atraso Se a política vai mal, a administração pública vai pior. O reflexo da desorganização bateu direto no bolso do cidadão. Recentemente, a prefeitura atrasou o pagamento dos funcionários públicos devido a um bloqueio judicial nas contas do município. Além disso, o setor empresarial da região está em pé de guerra. Empreiteiros e fornecedores reclamam que não têm recebido os pagamentos em dia por obras que já foram entregues e que simplesmente não foram contempladas pela municipalidade. A maré, definitivamente, não está para peixe. O Sucessor “Salvador da Pátria” e o buraco deixado por Sérgio Lopes A situação cria um paradoxo vergonhoso para o ex-prefeito Sérgio Lopes. Enquanto ele tenta viabilizar sua candidatura a deputado estadual, a cidade sofre com a herança de ruas esburacadas e abandonadas que ele deixou para trás. Para piorar a imagem de Lopes, o seu sucessor (Sérgio Mesquita) tenta se apresentar agora como o “salvador da pátria”. Aliados do atual prefeito já começam a espalhar a narrativa de que Mesquita, em menos de três meses no comando da prefeitura, “já fez mais do que Sérgio Lopes durante seus seis anos de mandato”. Um fogo amigo que queima as últimas pontes de Lopes em seu próprio reduto eleitoral. Se ele ainda pensa em se eleger, é bom começar a procurar votos em outros colégios eleitorais, porque em Epitaciolândia a fonte secou. O começo do fim? Diz o ditado político que “tudo o que sobe, desce”. A volta do anzol costuma ser dolorosa para quem cospe no prato que comeu. Com a previsão de que outros secretários e membros do grupo político devem anunciar suas renúncias nos próximos dias, a pergunta que fica no ar é uma só: Será este o começo da derrocada final do grupo que veio de fora para se apropriar do poder local? O tempo — e o eleitor — trará a resposta
deixamos o espaço aberto para o direito de resposta