Reportagem: Helizardo Guerra
Servir a Deus também significa colocar dons, talentos e habilidades a serviço do próximo. Durante o 20º Encontro de Obreiros (ENOB3), realizado pela Assembleia de Deus de Brasiléia no Alto Acre, um grupo de mulheres encontrou na cozinha uma forma especial de expressar a fé, a voluntariedade, a união e o compromisso com a obra de Deus.
Muito antes de o dia amanhecer, elas já estão de pé. Temporariamente, deixam suas casas, esposos, filhos e, em muitos casos, até os netos, para assumir uma missão que nem sempre aparece diante dos olhos do público, mas que é fundamental para a realização do encontro: preparar, organizar e servir alimentos aos pastores, obreiros, famílias e participantes do evento.
Longe dos holofotes, o trabalho dessas voluntárias exige disposição, organização e dedicação. São horas diante do fogão, entre panelas, temperos, receitas e preparativos, sempre com o propósito de acolher e cuidar daqueles que participam do ENOB3.
Entre panelas e receitas, uma escola de aprendizado
Na cozinha, diferentes gerações se encontram. Jovens aprendem com mulheres mais experientes, enquanto aquelas que carregam uma trajetória de dedicação compartilham conhecimentos, receitas, técnicas e, principalmente, valores como responsabilidade, solidariedade e compromisso com o serviço cristão.
Mais do que preparar refeições, o trabalho se transforma em uma expressão concreta de amor ao próximo.
“É um ato de ensinar, produzir o alimento com as próprias mãos, servir e saciar a fome de quem precisa. Quando fazemos isso com amor, também estamos servindo a Deus”, destacou a pastora Elem. uma das envolvidas no trabalho desenvolvido pelas irmãs durante o ENOB3.
Para essas mulheres, cada tarefa realizada representa uma oportunidade de contribuir com o encontro e demonstrar, por meio de atitudes, aquilo que a fé ensina: servir com humildade, alegria e amor.
Um ministério construído com amor
Para muitas voluntárias, a cozinha se tornou uma extensão do próprio ministério e uma oportunidade de colocar em prática uma vocação construída ao longo da vida, muitas vezes aprendida dentro da própria família.
A pastora Elem conta que encontrou na culinária uma paixão que foi crescendo ao longo dos anos, especialmente por influência de sua família.
“Minha mãe, minhas avós e minhas tias são excelentes cozinheiras, e isso despertou em mim o desejo de aprender e aprimorar meus conhecimentos culinários. Eu sabia cozinhar o básico, mas, aos poucos, fui buscando aprender a preparar comidas mais elaboradas”, relatou.
Segundo ela, a convivência com mulheres de diferentes lugares também proporciona uma importante troca de experiências e amplia os conhecimentos culinários.
“É uma verdadeira escola. Somos apresentadas a novos ingredientes, sabores e temperos. Cada pessoa traz um pouco da sua experiência, e essa troca torna o trabalho ainda mais especial”, acrescentou a pastora.
Quando o serviço se transforma em missão
A experiência vivenciada durante o ENOB3 demonstra ainda que o trabalho voluntário pode despertar novas vocações. Para as participantes, a cozinha não é apenas um espaço destinado à preparação de alimentos, mas também um ambiente de aprendizado, comunhão, cooperação e formação.
A presença de jovens ao lado das mulheres mais experientes representa uma oportunidade para que uma nova geração compreenda, na prática, o significado de servir a Deus com disposição e responsabilidade.
“Também é uma maneira de despertar nos jovens o desejo de servir a Deus. Quem sabe muitos dos que nos ajudaram neste ano possam, nas próximas edições, trazer outros jovens para esse ministério tão acolhedor e promissor que é cozinhar e servir”, destacou a pastora Elem.
Durante os dias do encontro, o trabalho começa cedo e termina somente depois que todas as tarefas são concluídas. São horas de dedicação que, muitas vezes, acontecem longe dos púlpitos e dos aplausos, mas que carregam a satisfação de saber que cada prato preparado, cada alimento servido e cada tarefa realizada contribui para o acolhimento dos participantes e para o desenvolvimento do evento.
Uma cozinha que também anuncia a fé
No ENOB3, a cozinha se transforma em um espaço onde a fé também é demonstrada por meio de atitudes. Ali, o serviço acontece de maneira silenciosa, voluntária e comprometida.
São mulheres que compreenderam que servir a Deus não está limitado aos grandes púlpitos ou às posições de destaque. Servir também está em acordar cedo, preparar uma refeição, ensinar uma receita, ajudar uma companheira de trabalho e cuidar daqueles que chegam.
Nesse ambiente, o talento culinário se une à espiritualidade e à vocação. Cada panela preparada, cada alimento servido e cada gesto de cuidado tornam-se formas concretas de expressar amor a Deus e ao próximo.
Assim, entre panelas, temperos, receitas e muita dedicação, as chamadas “Melhores Cozinheiras do Alto Acre” mostram que existem muitas maneiras de servir.
Para essas mulheres, a cozinha também pode ser um verdadeiro ministério: um lugar onde mãos que cozinham são as mesmas mãos que acolhem, cuidam, ensinam e servem. Um espaço onde a voluntariedade se transforma em missão e onde o trabalho realizado com amor contribui para fortalecer a comunhão e ajudar na construção da obra de Deus.
No ENOB3, cada refeição servida carrega mais do que sabor. Carrega dedicação, fé, união e o testemunho de mulheres que escolheram colocar seus dons a serviço do próximo, mostrando que, quando existe amor em servir, até uma cozinha pode se transformar em um lugar de propósito, comunhão e fé.


