Feliz dia dos Pais

Joao Evangelista
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Colunista: Prof. Msc. João Evangelis

Neste Dia dos Pais — muito mais do que uma data no calendário —, sinto que a vida me convida a olhar para trás e percorrer, com o coração, os caminhos que me trouxeram até aqui.

E, quando faço esse exercício, encontro inevitavelmente o meu pai: João Evangelista Moreira, o nosso Seu Vanjú.

Encontro o homem que, muito antes de me ensinar qualquer coisa com palavras, ensinou-me pelo exemplo. Um homem que conheceu as intempéries do mundo, enfrentou desafios com coragem, trabalhou incansavelmente e construiu sua história com as próprias mãos.

Nossa infância foi forjada no trabalho. Meu pai não era apenas aquele que garantia o sustento sobre a mesa; era quem nos mostrava, no dia a dia, que a vida exigia responsabilidade, compromisso e, acima de tudo, dignidade. Os desafios eram imensos, mas as lições diárias eram ainda maiores. Crescemos vendo que trabalhar não era um fardo, mas uma forma nobre de honrar a existência.

Meu pai talvez nem imaginasse que, enquanto cuidava dos negócios e lutava para nos educar, estava escrevendo dentro de cada filho uma história indelével. Hoje, olhando para minha própria caminhada, percebo o quanto dele vive em mim: seus gestos, suas preocupações, seus ensinamentos e até aqueles silêncios respeitosos que, com a maturidade, aprendi a decifrar.

Ser pai é também aprender a arte de soltar. Lembro-me de quando meus pais, a meu pedido, me incentivaram a estudar fora. Naquele momento de despedida, entre a alegria pelo futuro

Feliz dia dos Pais.

que desabrochava e o peito apertado pela saudade antecipada, havia lágrimas que tentávamos esconder. Hoje compreendo: pais de verdade não criam os filhos para si, mas para que caminhem com as próprias pernas. Essa é uma das maiores heranças de Seu Vanjú — a coragem de nos deixar voar, mesmo quando o coração pede para manter perto.

Com o tempo, a vida me deu a bênção de também ser pai. E ao ver meus filhos crescerem, passei a enxergar o mundo pelos olhos do meu pai. A gente só entende certas coisas quando passa para o outro lado da história. Descobri que, por trás de cada conselho antigo, havia medo; por trás da exigência, havia cuidado; e no âmago de cada sacrifício, pulsava um amor silencioso e infinito.

Meu pai nunca precisou de grandes discursos. Ele simplesmente viveu. E, ao viver, ensinou-me que família é patrimônio inegociável; que a honestidade não tem preço; que a educação transforma e que os filhos são sementes que precisam de raízes fortes, mas também de céu aberto para crescer.

Neste dia, minha homenagem primeira é para ele: o homem que enfrentou seu tempo, edificou um lar e nos deixou um legado que vai muito além dos bens materiais.

Mas estendo este abraço a todos os pais:

  • Aos que acordam antes do sol e enfrentam o trabalho duro nas fazendas, escritórios, lojas, fábricas ou ao volante;

  • Aos que abriram mão dos próprios sonhos para que os filhos pudessem sonhar mais alto;

  • Aos que, mesmo exaustos, ainda encontram o sorriso e o abraço na chegada em casa;

  • E aos pais que já partiram — porque a ausência física não apaga o que foi plantado. O pai continua vivo na forma como educamos nossos filhos, no caráter que demonstramos e no amor que repassamos.

Hoje, quando penso em meu pai, não penso em quem ele foi, mas no homem que ele continua sendo dentro de mim. Essa é a verdadeira eternidade: continuar existindo nas atitudes dos filhos, no olhar dos netos e nas memórias contadas ao redor da mesa.

Meu pai me ensinou a caminhar. A vida me ensinou a valorizar a estrada. E hoje, como pai e avô, sei que essa história não termina em mim. Nós apenas a levamos adiante.

Feliz Dia dos Pais, meu pai, receba a minha eterna gratidão, o meu abraço e o meu amor.

E a todos os pais que fizeram da própria vida uma ponte para que seus filhos chegassem mais longe: parabéns pelo seu dia!