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Hospital Regional do Alto Acre atende pacientes estrangeiros e levanta questionamentos sobre custeio e autorização VEJA FOTOS

Hospital Regional do Alto Acre atende pacientes estrangeiros e levanta questionamentos sobre custeio e autorização VEJA FOTOS

Reportagem: Helizardo Guerra

O Hospital Regional do Acre (HRC) voltou a receber diariamente casos de emergência envolvendo pacientes estrangeiros vítimas de acidentes ocorridos fora do território brasileiro. A situação reacende uma discussão que vem ganhando espaço entre usuários do sistema público de saúde e contribuintes: quem autoriza a transferência desses pacientes para atendimento no Brasil e quem assume os custos dos procedimentos realizados pela rede pública?

Na manhã deste sábado, 12 de setembro de 2026, um paciente identificado como Edir A. Alvarez, de 34 anos, deu entrada no Hospital Regional do Acre após sofrer um grave acidente de motocicleta na cidade de Maldonado, no Peru, por volta das 23 horas. Segundo informações anônimas repassadas ao [veículo], o homem teria colidido contra um poste de energia e apresentava quadro de traumatismo cranioencefálico grave, com fratura da base do crânio.

O paciente teria chegado ao hospital brasileiro por volta das 6h40, em estado grave, apresentando desorientação, agitação e rebaixamento do nível de consciência, com Escala de Coma de Glasgow 6. O quadro, segundo avaliação médica, indicaria a necessidade de intubação orotraqueal e suporte avançado de vida.

De acordo com as informações disponíveis, o paciente teria sido transportado do lado peruano até o Brasil sem que a intubação fosse realizada na unidade de origem. Durante o transporte, teria sido utilizada uma cânula para auxiliar na manutenção das vias aéreas, enquanto o paciente permanecia em condições consideradas precárias para o transporte.

Já em território brasileiro, a equipe do Hospital Regional realizou a estabilização e a intubação do paciente, que posteriormente precisou ser transferido para Rio Branco.

Quem autoriza e quem paga?

O caso, além da gravidade clínica, chama atenção para uma questão administrativa que precisa ser esclarecida pelas autoridades de saúde: qual é o protocolo utilizado para receber pacientes estrangeiros vítimas de acidentes ocorridos em outros países e quem é responsável pelo pagamento da assistência prestada pela rede pública brasileira?

A preocupação não está relacionada à necessidade de atendimento de uma pessoa em situação de emergência — princípio humanitário que deve ser respeitado —, mas à frequência com que situações semelhantes estariam chegando ao Hospital Regional do Acre.

O questionamento que surge é direto: existe algum acordo formal entre Brasil, Peru e Bolívia para o atendimento desses pacientes? Há autorização prévia das autoridades brasileiras? Existe algum mecanismo de ressarcimento dos custos ao Sistema Único de Saúde (SUS)? Ou a conta acaba sendo integralmente assumida pelos cofres públicos brasileiros?

São perguntas que merecem respostas transparentes, principalmente porque o SUS é financiado, em grande parte, por recursos públicos provenientes dos impostos pagos pela população brasileira.

Hospital brasileiro estaria se tornando referência para emergências de países vizinhos?

O episódio também levanta outra preocupação. Há relatos de que o Hospital Regional do Acre estaria recebendo, com frequência cada vez maior, pacientes vítimas de acidentes ocorridos em territórios peruano e boliviano.

Se essa prática está ocorrendo de forma regular, é necessário esclarecer se existe um fluxo oficial de atendimento transfronteiriço, quem coordena essas transferências e quais recursos são destinados para garantir que o atendimento aos estrangeiros não comprometa a capacidade de atendimento da população acreana.

Também é necessário esclarecer como ocorre a entrada desses pacientes em território brasileiro em situações de emergência e quais procedimentos são adotados pelos órgãos responsáveis pelo controle e pela autorização dessas transferências.