Claire Cameli fala sobre trajetória, projetos e planos para possível atuação na Assembleia Legislativa VEJA FOTOS E VIDEOS
Reportagem: Helizardo Guerra
Em entrevista ao jornalista Helizardo Guerra, do site De Frente com a Notícia, Claire Cameli falou sobre sua trajetória pessoal e profissional, sua experiência na gestão pública e os projetos que pretende defender caso seja eleita deputada estadual. Com passagem pela Secretaria de Estado de Assistência Social, Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres, ela destaca como principais bandeiras a assistência social, a inclusão das pessoas com deficiência, a proteção de mulheres e crianças, além do esporte, da cultura e de políticas voltadas para a juventude.
Jornal: Você tem uma trajetória na gestão pública, especialmente na área social. O que motivou a decisão de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Acre?
Claire Cameli: Minha experiência na gestão pública me permitiu conhecer de perto a realidade de muitas famílias acreanas e também entender os desafios que existem para transformar uma política pública em atendimento de verdade.
Estive à frente da Secretaria de Estado de Assistência Social, Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres e pude acompanhar de perto tanto as necessidades da população quanto as dificuldades enfrentadas pela administração.
Agora, acredito que essa experiência pode contribuir no Legislativo. Quero levar para a Assembleia uma visão de quem conhece a realidade da gestão, entende a importância do planejamento e sabe que o parlamentar não deve apenas propor leis. É preciso também fiscalizar, acompanhar os investimentos e cobrar resultados.
Jornal: Qual deve ser o papel de uma deputada estadual diante das necessidades da população?
Claire Cameli: A deputada estadual tem responsabilidades muito importantes. É preciso participar da construção das leis, discutir o orçamento, fiscalizar a aplicação dos recursos públicos e acompanhar se as políticas realmente estão chegando a quem precisa.
Defendo um Legislativo mais presente e próximo das comunidades, com capacidade de ouvir as pessoas. Muitas vezes, quem está no bairro, na comunidade ou dentro de casa sabe exatamente qual é o problema, mas essa demanda não consegue chegar ao poder público. Precisamos diminuir essa distância.
Jornal: A assistência social é uma das principais áreas da sua trajetória. Quais são suas prioridades nesse setor?
Claire Cameli: Precisamos fortalecer a rede de assistência social. Não adianta criar novos programas se os serviços que já existem não tiverem estrutura, profissionais, recursos e condições adequadas para funcionar.
A assistência social precisa ser uma política permanente de proteção às famílias que estão em situação de vulnerabilidade. É necessário identificar as necessidades, oferecer atendimento integrado e garantir que as pessoas tenham acesso aos seus direitos.
Meu objetivo é defender políticas que tenham continuidade e que cheguem, principalmente, às famílias que mais precisam.
Jornal: Outra bandeira que você destaca é a inclusão das pessoas com deficiência. O que precisa avançar?
Claire Cameli: Precisamos transformar a inclusão em acesso de verdade. Existe uma diferença muito grande entre ter um direito previsto em lei e conseguir exercer esse direito na prática.
Precisamos avançar em diagnóstico, tratamento, terapias, educação inclusiva, acessibilidade e atendimento adequado. Essa realidade é ainda mais delicada para as famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, que muitas vezes enfrentam uma verdadeira peregrinação em busca dos serviços necessários.
Quero defender políticas públicas que olhem não apenas para a pessoa com deficiência, mas também para toda a família, porque os desafios acabam sendo enfrentados por todos.
Jornal: A proteção das mulheres e o enfrentamento da violência também aparecem entre suas prioridades. Como o Estado pode avançar?
Claire Cameli: Precisamos fortalecer a prevenção, o acolhimento e a proteção. Quando uma mulher sofre violência, ela precisa encontrar uma rede preparada para recebê-la, orientá-la e protegê-la.
Também precisamos melhorar a integração entre os serviços públicos. A violência sexual contra mulheres e crianças, por exemplo, exige ações permanentes de prevenção, atendimento especializado e mecanismos eficientes para responsabilizar os agressores.
Não podemos agir somente depois que a violência acontece. Precisamos trabalhar também na prevenção e na construção de uma cultura de proteção.
Jornal: Você também defende projetos de esporte e cultura para crianças e adolescentes. Por que considera essas áreas tão importantes?
Claire Cameli: Porque esporte e cultura transformam vidas. São ferramentas de formação, disciplina, convivência e criação de oportunidades.
Projetos como taekwondo, balé e outras atividades podem ajudar crianças e adolescentes a desenvolver habilidades, fortalecer vínculos familiares e comunitários e ocupar o tempo com atividades positivas.
Mas essas oportunidades não podem ficar concentradas apenas nos grandes centros. Elas precisam chegar também às comunidades mais vulneráveis. Para isso, é necessário garantir estrutura, recursos e continuidade.
Jornal: A dependência química também está entre as questões que você pretende discutir. Qual seria sua abordagem?
Claire Cameli: Precisamos olhar para a pessoa que enfrenta a dependência, mas também para a família. Muitas vezes, o sofrimento atinge todo o núcleo familiar, que não sabe onde buscar ajuda e acaba enfrentando a situação praticamente sozinho.
Defendo políticas que trabalhem prevenção, tratamento e reinserção social, mas que também ofereçam apoio às famílias. Precisamos de uma rede integrada, capaz de oferecer caminhos para a recuperação e ajudar na reconstrução dos vínculos familiares e sociais.
Jornal: Você fala bastante sobre aproximar as comunidades do poder público. Como isso poderia acontecer?
Claire Cameli: Precisamos ouvir mais as pessoas antes de definir prioridades. Quem vive diariamente os problemas de um bairro ou de uma comunidade tem muito a contribuir para encontrar soluções.
Quero defender mecanismos de participação que permitam ouvir diretamente as famílias e as comunidades. Isso ajuda o poder público a direcionar melhor os investimentos e entender onde estão as necessidades mais urgentes.
Educação, esporte, cultura e convivência familiar também precisam ser vistos como instrumentos de prevenção da violência e de geração de oportunidades.
Jornal: Se eleita, como pretende exercer seu papel de fiscalização?
Claire Cameli: Com responsabilidade e independência. Fiscalizar é uma das principais funções do parlamentar.
É preciso acompanhar a aplicação dos recursos públicos, verificar os resultados das políticas e cobrar quando aquilo que foi planejado não estiver chegando à população.
Quero ter uma atuação baseada em propostas, mas também em fiscalização. Não adianta anunciar investimentos se eles não produzem resultados concretos na vida das pessoas.
Jornal: Quais seriam as principais prioridades de um eventual mandato?
Claire Cameli: Eu colocaria como prioridades o fortalecimento da assistência social, a inclusão das pessoas com deficiência, a proteção das mulheres e das crianças, além de políticas voltadas ao esporte, à cultura e às oportunidades para a juventude.
Também quero trabalhar pela aproximação entre as comunidades e o poder público e defender mais transparência. O eleitor precisa saber quais compromissos um parlamentar assumiu e, depois, ter condições de acompanhar o que foi realizado.
Jornal: Sua trajetória pessoal também influencia suas pautas?
Claire Cameli: Certamente. A gestão pública me trouxe experiência profissional e uma visão muito concreta dos desafios do Estado. A vivência familiar também contribuiu para ampliar minha sensibilidade em relação a determinadas pautas.
Mas não quero transformar experiências pessoais em políticas destinadas apenas a um grupo. Quero usar aquilo que aprendi para ajudar a construir políticas públicas que atendam diferentes famílias, diferentes histórias e diferentes necessidades.



