A cada eleição ou início de uma nova legislatura, Epitaciolândia revive um fenômeno curioso — e já bastante conhecido: o reconhecimento tardio do valor da legislatura passada. O que ontem era alvo de críticas, hoje ganha contornos de saudade institucional. Uma ironia que não passa despercebida nem mesmo pelos mais atentos observadores da política local.
Nos bairros do município, o discurso mudou. As promessas deram lugar ao arrependimento público. Eleitores admitem, em tom quase confessional, que trocaram vereadores cobradores por discursos vazios e acabaram ficando apenas com o silêncio — um silêncio confortável para quem ocupa o cargo, mas ensurdecedor para quem espera respostas.
A atual legislatura municipal, segundo relatos recorrentes nas ruas, parece ter adotado um novo modelo de mandato: presença mínima, posicionamento raro e fiscalização quase invisível. Há quem questione, inclusive, se alguns parlamentares tiveram tempo de folhear o regimento interno da Casa Legislativa — instrumento básico para quem deveria legislar, fiscalizar e representar a população.
Enquanto isso, problemas se acumulam e as cobranças feitas pelos munícipes seguem sem eco. A sensação é de que o exercício do mandato se tornou mais figurativo do que funcional. Afinal, ocupar uma cadeira não significa, necessariamente, exercer o papel de vereador.
Nesse contraste inevitável, nomes da legislatura passada voltam ao debate público, não por saudosismo político gratuito, mas pela lembrança de uma atuação mais firme, presente e participativa. Ex-vereadores como José Maria e o então presidente da Câmara, Rubens Lei, são frequentemente citados como exemplos de parlamentares que compreendiam que o cargo exige enfrentamento, posicionamento e cobrança — inclusive quando isso incomoda.
A comparação é desconfortável, mas didática. Ela escancara o vazio deixado por uma representação que, para muitos eleitores, hoje existe apenas no papel e no contracheque. O parlamento municipal segue com cadeiras ocupadas, discursos protocolados e sessões realizadas, mas com vozes que pouco se fazem ouvir fora do plenário.
No fim das contas, a ironia se impõe: só quando a cobrança desaparece é que parte da população percebe o valor de quem realmente cumpria o papel de legislador. Em Epitaciolândia, a saudade virou denúncia — e o silêncio atual fala mais alto do que qualquer discurso passado.