Reportagem: Helizardo Guerra
Depois de sofrer derrotas acachapantes nas últimas eleições e assistir ao fim do ciclo de vinte anos de poder ininterrupto de seu grupo político no Acre, Jorge Viana parece longe de desistir de reconquistar espaço no cenário eleitoral. Pelo contrário: retorna ao debate público com a convicção típica de quem acredita que o eleitor apenas “não entendeu direito” suas propostas anteriores.
Agora, segundo ele próprio, foi convidado a disputar uma das vagas ao Senado em 2026 — convite que, curiosamente, surge logo após a volta de seu aliado ao Palácio do Planalto, o presidente Lula. Coincidência que, claro, ele garante não ter relação nenhuma com o súbito renascimento de sua disposição eleitoral.
Presidindo atualmente a ApexBrasil, Viana se apresenta como pré-candidato do PT, ancorado em sua longa trajetória política — marcada por altos, baixos e mais alguns baixos recentes, somados ao desgaste causado pela exposição de figuras como o entusiasta Cezário Campelo. Ainda assim, afirma estar plenamente credenciado a retornar ao Parlamento.
Em entrevista a uma plataforma digital, adotou o já conhecido discurso da “moralidade”, classificando como “vergonhoso” o comportamento de adversários da direita que, segundo ele, “brigam para ver quem é mais extremista”. O ex-governador e ex-senador diz ainda se preocupar com o fato de “essas pessoas não terem vergonha” de adotar posturas radicais, reforçando que despreza o extremismo — fala que soa, no mínimo, estratégica, num momento em que tenta reconstruir sua imagem após sucessivas rejeições nas urnas.
Assim, entre indignações seletivas, críticas moralizantes e a confiança renovada pelo retorno do presidente — seu aliado e avalista — ao Planalto, Jorge Viana tenta, mais uma vez, recuperar protagonismo. Resta saber se o eleitor acreano — aquele mesmo que já lhe deu vitórias históricas e derrotas igualmente expressivas — estará disposto a embarcar em mais uma tentativa, como resumem algumas vozes do Alto Acre.