De camarote, Executivo e Legislativo observam moradores lutarem por direitos que a lei já garante VEJA FOTOS E VIDEOS

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Reportagem: Helizardo Guerra

O vídeo que circula nas redes sociais escancara uma cena que, infelizmente, já virou praxe no município: moradores exaustos de promessas recicladas cobrando aquilo que a lei já lhes assegura, enquanto a gestão municipal demonstra notável habilidade em praticar o silêncio institucional. Não se trata de favor, gentileza ou pedido fora da realidade — é o mínimo previsto em lei, tratado pelo poder público como se fosse mera sugestão.

Diante da pressão popular, a administração parece recorrer à sua estratégia favorita: fingir que não é com ela. A aposta é antiga — deixar o tempo passar, na esperança de que o cansaço vença os direitos e que a indignação se dissolva sozinha. Enquanto isso, ruas abandonadas, serviços precários e comunidades esquecidas seguem sendo empurrados para debaixo do tapete, ao passo que discursos oficiais insistem em vender um cenário que só existe nos corredores refrigerados dos gabinetes.

Ainda mais constrangedora é a postura dos vereadores. No papel, fiscais do povo; na prática, espectadores confortáveis do descaso. Diante das cobranças legítimas da população, optam pelo silêncio conveniente, pela ausência calculada e pela omissão estratégica. A Câmara Municipal, que deveria ser a casa do povo, parece funcionar apenas para quem domina o roteiro político — para o cidadão comum, as portas seguem fechadas e a paciência esgotada.

O vídeo não expõe apenas revolta; ele traduz o cansaço coletivo de uma população que conhece seus direitos e se recusa a continuar como figurante do próprio abandono. Enquanto moradores se expõem, cobram e resistem, executivo e Legislativo permanecem fiéis àquilo que fazem melhor: nada. Afinal, cobrar direitos virou ato de coragem; cumprir a lei, ao que tudo indica, tornou-se opcional.