COLUNISTA: Ivana Cristina Colaboração: Vilma Galli e Gislene Salvatierra Ícones de Brasileia e Epitaciolandia
O nome dela era Sebastiana Ferreira Alves, nasceu em 14 de dezembro de 1930, em Brasileia, mas todos a conheciam por Neném da Viração ou simplesmente Dona Neném.
Conheci Dona Neném quando trabalhava na Secretaria Municipal de Educação, na época o Prefeito era o Milton Ramos Esteves e a Secretária Maria Anícia Kairala. Morando em Epitaciolandia, eu e minhas colegas de trabalho: Justina Marques e Helena D’Ávila, passávamos em frente a casa da Dona Neném, todos os dias, após o expediente. A frente da sua casa era cheia de flores, as mais diversas e belas que você pode imaginar. Admiradas com tanta “belezura”, resolvemos pegar um “gainho” para plantar. Dona Neném saiu de trás das flores e gritou: Olha mais o que vejo! Por que não pediu? Envergonhadas caímos na risada e ela também!
Dona Neném era uma mulher carismática, de sorriso solto, lindo e contagiante! Aliás, ela vivia sorrindo. Tinha a alegria estampada no olhar! Mas, quem conheceu sua história, sabe do sofrimento que ela passou. Casou-se! E o homem que jurou amar-la, abandonou-a com 07 filhos pequenos à própria sorte. Sem teto, sem alimento e sem renda.
Mas, ela com o coração cheio de esperança e fé, não desistiu de seus filhos com todos os impropérios da vida. Com sete filhos pequenos e tendo dificuldade para prover o sustento, foi carregar água na cabeça em uma lata de alumínio para as famílias mais afortunadas de Brasileia, recebia alguns “trocados” por essa árdua tarefa, na época as residências em Brasileia não tinham água encanada. E lá estava Dona Neném entregando água de porta em porta, várias vezes ao dia. A tarefa era árdua, mas era como ela provia o sustento da família.
Não se enganasse com sua aparência frágil, era uma fortaleza, sem “papas na língua”, determinada e resiliente.
Dona Neném encontrou no cultivo das plantas, uma forma de melhorar as condições financeiras e de bem-estar.
Ela e as flores pareciam conversar entre si e elas cresciam fortes, lindas e vigorosas. Os olhos de Dona Neném brilhavam ao simples contato com as plantas.
Com o tempo foi trabalhar como funcionária de apoio na Escola Getúlio Vargas, era uma funcionária dedicada, quando chegava enchia o ambiente de alegria. A vida começava a melhorar!
Sua luta não foi em vão!
Seus filhos cresceram, fortes e saudáveis, cheios de orgulho da mãe. Uma mãe que apesar das dificuldades sempre mostrava o caminho do bem. Lembro que ela falava com orgulho da profissão dos filhos e das famílias que eles construíram. Seus filhos: Claudemir Ferreira Alves, Claudevaldo Ferreira Alves, Cláudio Ferreira Alves, Cleudes Ferreira Alves, Ana Maria Ferreira Alves, Marilza Ferreira Alves e Guilherme Ferreira Alves, eram a alegria da sua vida.
Quando Dona Neném foi morar em Rio Branco, as plantas que ela tanto cultivava, perderam o vigor. E aos poucos, como em um passe de mágica, foram perdendo o brilho e aos poucos desapareceram. Soube do falecimento dela, que ocorreu dia 26 de março, em Rio Branco. Ao ler o texto escrito no Instagram pelo seu admirado neto, o Médico Uelliton Galli, tive a dimensão do quanto essa incrível mulher representava para sua família. Um exemplo de força, amor e superação. Somente quem conheceu a Dona Neném sabe exatamente do que eu estou falando. Uma mulher fantástica, muito além do seu tempo!
Uma mulher com uma alegria contagiante!
Uma mulher que deixou saudades no coração de seus familiares e amigos.
Antes de partir aos 95 anos, relatou aos parentes e amigos que tinha cumprido seu dever aqui na terra e já poderia descansar em paz!
Dona Neném foi exemplo de mãe, sogra, avó, bisavó e amiga, deixou um legado na terra “que o amor materno é capaz de superar toda e qualquer dificuldade”.
Dona Neném, que seu caminho até o Pai seja coberto de flores, as mesmas perfumadas flores que cultivastes com suas dedicadas e delicadas mãos.