Reportagem: Helizardo Guerra
A insatisfação popular em Epitaciolândia ganha novos contornos diante das críticas direcionadas ao prefeito reeleito, acusado por moradores de irresponsabilidade administrativa e desrespeito aos próprios eleitores que lhe garantiram a permanência no cargo. Em vídeos que circulam nas redes sociais, munícipes expressam indignação com o que classificam como abandono quase total da cidade, especialmente nos bairros mais distantes da região central.
De acordo com os relatos, enquanto a gestão municipal destina recursos públicos à realização de festas e eventos, diversas ruas permanecem intrafegáveis, tomadas por buracos, lama e ausência de infraestrutura básica. A precariedade também atinge a iluminação pública e o saneamento, agravando a sensação de descaso enfrentada diariamente por moradores que afirmam cumprir com suas obrigações fiscais, como o pagamento do IPTU, sem perceber retorno em serviços essenciais.
Um dos pontos que mais alimentam a revolta da população é a postura do gestor diante das reivindicações populares. Eleitores relatam dificuldade de acesso ao gabinete do prefeito e afirmam que sequer são recebidos para apresentar demandas, inclusive aqueles que o apoiaram abertamente durante a campanha de reeleição. “Não há respeito com quem confiou o voto”, resume um morador ouvido em um dos vídeos, ao relatar a falta de diálogo com a administração municipal.
O descontentamento se intensifica diante da informação de que o prefeito deverá se afastar do cargo para disputar uma vaga de deputado estadual em 2026, deixando a prefeitura sob a responsabilidade do vice-prefeito. Para parte da população, a decisão reforça a percepção de que interesses políticos pessoais estariam sendo colocados acima das necessidades mais urgentes do município. Em tom de desabafo, um cidadão afirma que a população se sente descartada após o período eleitoral.
As manifestações revelam um distanciamento cada vez maior entre o poder público e a população contribuinte. Para os moradores, Epitaciolândia necessita de investimentos básicos, planejamento e respeito institucional. Nesse contexto, o uso de recursos públicos em festas é interpretado como símbolo de uma inversão de prioridades. A cobrança é direta e recorrente: menos palco, mais rua; menos evento, mais gestão.


