Em Epitaciolândia, alguns problemas parecem ter conquistado um curioso título administrativo: o de “surpresa permanente” — mesmo sendo velhos conhecidos da população. Situações que se arrastam há anos continuam reaparecendo como se fossem novidades recém-descobertas pela gestão pública, pegando autoridades desprevenidas… ou pelo menos é essa a impressão que fica.
A população, por outro lado, parece ter uma memória um pouco mais resistente. As reclamações são recorrentes e abrangem desde infraestrutura precária até a ausência de serviços básicos: falta de coleta regular de lixo, deficiência na iluminação pública, dificuldades de acesso em ramais e outros problemas que, se fossem listados detalhadamente, renderiam um relatório consideravelmente extenso. Em resumo, falhas de planejamento e execução de serviços públicos já fazem parte do cotidiano do município há bastante tempo. Ainda assim, a cada novo episódio, a sensação é de que a história começa do zero — como se ninguém tivesse sido avisado anteriormente.
Nesse enredo que mistura rotina e repetição, alguns personagens da política local também acabam figurando. Entre eles, o ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Rubens, que hoje acompanha de perto as cobranças e críticas vindas da comunidade. O detalhe curioso é que muitos desses problemas não surgiram ontem, nem na semana passada. São velhos conhecidos da cidade e dos contribuintes — e, segundo parte da população, poderiam ter se agravado ainda mais caso o atual gestor tivesse sido reeleito sem qualquer contestação. Afinal, como dizem nas conversas de esquina: aviso é o que não faltou.
Para muitos moradores, resta apenas repetir a frase que se tornou quase um bordão nas rodas de conversa da cidade: “não foi por falta de aviso.” Avisos, aliás, vieram de várias formas ao longo dos anos — reclamações, pedidos formais, cobranças públicas e até promessas de que tudo seria resolvido em breve. No entanto, segundo alguns moradores, a sensação é de que, com o passar do tempo, as promessas evoluíram mais no discurso do que na prática.
Entre os alvos das críticas está o atual prefeito, Sérgio Lopes, cuja gestão tem sido frequentemente questionada por parte da população. Um morador, em tom de frustração, resumiu o sentimento: “A gente ouviu que tudo ia melhorar, mas até agora o que mudou foi só a paciência do povo, que está cada vez mais curta.”
Mas, como costuma acontecer em muitos capítulos da política municipal de Epitaciolândia, a realidade insiste em andar em um ritmo bem mais lento que os discursos oficiais. Enquanto isso, os moradores seguem exercitando uma habilidade que já virou tradição local: a paciência.
E assim, entre promessas repetidas e problemas persistentes, o município vai escrevendo mais um capítulo de sua curiosa crônica administrativa — onde o inesperado, na verdade, já era bastante esperado. E, segundo os mais pessimistas (ou talvez apenas realistas), há quem diga que os próximos capítulos ainda podem surpreender… para pior.