Epitaciolândia: entre promessas e buracos, gestão sinaliza saída enquanto população espera o “planejamento” virar realidade

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Reportagem: Helizardo Guerra

No município de Epitaciolândia, a gestão do prefeito Sérgio Lopes caminha para um desfecho que, para muitos moradores, soa menos como surpresa e mais como a confirmação de um roteiro já conhecido. Com a possibilidade de renúncia para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, cresce a percepção de que o compromisso firmado nas urnas pode ter se perdido — talvez em meio às mesmas vias esburacadas que hoje compõem o cenário urbano.

Eleito sob promessas de mudança, eficiência administrativa e zelo pela cidade, o gestor agora se vê confrontado por uma realidade que insiste em contradizer o discurso de campanha. Problemas estruturais básicos permanecem sem solução consistente, evidenciando fragilidades na condução administrativa. Enquanto isso, a população acompanha, entre incredulidade e ironia, o distanciamento cada vez mais evidente entre o que foi prometido e o que efetivamente se materializou.

Nos bastidores, as críticas ganham contornos ainda mais ácidos. Relatos recorrentes apontam que decisões estratégicas da administração teriam sido, na prática, politicamente terceirizadas, com protagonismo crescente do vice-prefeito Sérgio Mesquita. A antecipação de articulações de poder — algumas envolvendo diretamente seu núcleo familiar — reforça a percepção de que o governo municipal já opera em modo de transição, ainda que sem anúncio formal.

Para parte dos moradores, o cenário não revela apenas dificuldades pontuais, mas uma condução administrativa marcada pela ausência de direção clara. A ironia, nesse contexto, torna-se quase inevitável: a liderança que prometeu reorganizar o município parece, ao final, entregar um ambiente onde a desordem virou rotina — e o planejamento, uma peça quase conceitual.

Enquanto isso, a população segue convivendo com os efeitos práticos dessa condução — ou da ausência dela. Ruas deterioradas, iluminação precária, coleta de lixo irregular e obras inacabadas compõem um retrato que dispensa maiores interpretações. E, diante da iminente mudança de comando, a pergunta que ecoa nas ruas ganha força: se a gestão atual não conseguiu responder às demandas mais básicas, em que se sustenta a ambição por voos políticos maiores?

No horizonte, a expectativa se volta para o vice e sua equipe. Declarações anteriores, marcadas por tom firme e confiança — como as de sua irmã, Marinete Mesquita, que reiterava que “aqui tem gestão e planejamento” — agora passam a ser vistas como promessa a ser testada na prática. Resta saber se, desta vez, o planejamento sairá do discurso e alcançará as ruas.

Entre ceticismo e uma dose já habitual de sarcasmo, os mais otimistas ainda aguardam por sinais concretos de mudança. Afinal, em Epitaciolândia, o que está em jogo não é apenas a troca de comando, mas o limite da paciência de um eleitorado que, há tempos, vem aprendendo a conviver com promessas que raramente sobrevivem ao primeiro buraco da esquina.