Reportagem: Helizardo Guerra
Morar em Epitaciolândia definitivamente não é para amadores. Na manhã deste domingo, 8 de fevereiro de 2026, moradores da Rua Tancredo Neves, no bairro Satel, começaram o dia não com café, mas com força no braço: empurrando um veículo atolado após as fortes chuvas que atingiram a região do Alto Acre. A cena, registrada e compartilhada em grupos locais, escancarou uma realidade que insiste em reaparecer sempre que o céu fecha.
Enquanto a água toma conta das vias e transforma ruas em verdadeiras pistas de obstáculos, a sensação entre os munícipes é de abandono. Nas redes sociais, o desabafo virou coro: faltam drenagem, manutenção e planejamento básico — sobra improviso. “Aqui, quando chove, a cidade para; quando não chove, a poeira e os buracos das ruas que dão acesso aos bairros continuam lembrando os problemas”, ironiza um morador.
A crítica ganha tom ainda mais ácido diante das ambições políticas do prefeito reeleito, que, segundo comentários recorrentes, já mira votos para disputar uma vaga de deputado estadual. “Quer subir de cargo sem cumprir o atual”, resumem internautas. Para eles, se o dever de casa como prefeito não está sendo feito, a promessa de representação em outro patamar soa, no mínimo, precipitada.
Entre lama, empurrões e postagens indignadas, Epitaciolândia segue testando a paciência de quem paga impostos e espera o básico. Por aqui, a cada chuva forte, renova-se a pergunta que ecoa nas ruas alagadas: quem vai empurrar a gestão para fora do atoleiro