“Fiscalização em modo soneca e Rubens promovido a símbolo de eficiência tardia”

Política
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Reportagem: Helizardo Guerra

Um fenômeno curioso tem chamado atenção: em meio ao silêncio quase constrangedor da atual legislatura, o passado começa a soar mais eloquente do que o presente. O nome do ex-presidente da Câmara, Rubens, ressurge embalado por um saudosismo que, convenhamos, parece menos memória afetiva e mais um leve — ou nem tão leve assim — arrependimento coletivo.

Enquanto isso, os atuais vereadores parecem ter adotado uma interpretação bastante… flexível de suas atribuições. Fiscalizar? Talvez em outro momento. Representar o povo? Quem sabe quando a plateia voltar. Por ora, o que se vê são sessões esvaziadas — tanto de público quanto, ao que tudo indica, de entusiasmo e protagonismo político.

A ausência de moradores nas sessões legislativas, longe de ser um mero detalhe, transformou-se em termômetro do descrédito. Afinal, quando nem o cidadão se dispõe a assistir, é porque o roteiro já não convence há tempos.

E não é por falta de pauta: bairros enfrentam problemas de trafegabilidade; o lixo se acumula como se fosse parte do cenário urbano; ruas permanecem mergulhadas na escuridão; e os ramais, em estado precário, isolam produtores que tentam — com criatividade e paciência — escoar sua produção.

Diante desse quadro, o silêncio dos parlamentares ecoa mais alto do que qualquer discurso. A fiscalização, que deveria ser o alicerce do mandato, parece ter entrado em recesso permanente — ainda que o calendário oficial indique o contrário.

No fim das contas, o que se ouve nas ruas não é apenas saudade de um nome, mas um recado claro: quando o presente decepciona, até o passado ganha contornos de eficiência. E, ironicamente, talvez resida aí a crítica mais contundente à atual atuação do parlamento municipal.