Francisco Vicente de Melo, O Chico Macaxeira

ICONES DE BRASILÉIA E EPITACIOLANDIA POR IVANA CRISTINA
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colunista: Ivana Cristina
Colaboração: Deusdete Silva de Melo e Francisca C Castro de Melo
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia

Francisco Vicente nasceu dia 06 de agosto de 1941, filho de Vicente de Melo e Rita Souza Galvão. Seu pai era “potiguar” e chegou ao Acre no ano de 1930, na época seu deslocamento de Natal, Rio Grande do Norte, para ao Acre, demorou cerca de um ano.
Macaxeira não teve tempo para os estudos, distante de tudo, começou a cortar e coletar seringa, aos 12 anos de idade. Trabalhava com o patrão, geralmente a borracha que fazia era trocada por mercadorias/alimentos no barracão. A troca de borracha por alimentos era anotada em um caderno, que ficava aos cuidados do patrão. Uma dívida que nunca tinha fim, por mais borracha que produzisse.
Apesar da “pouca leitura”, tem conhecimento de cálculos matemáticos, ferramenta necessária principalmente para fazer negócios. Macaxeira ficava tanto tempo trabalhando que só conheceu a cidade de Brasiléia quando já tinha 17 anos. Casou-se aos 27 anos após dois anos de namoro com Jacira Silva de Melo e dessa bela união nasceram 04 lindos filhos: Deusdete, Deusa, Deucimar e Márcio.
Quando saía para o corte da seringa era comum escutar “esturros” das onças. Mas, nunca desanimou e continuou trabalhando para sustentar sua família. Aliás, é um homem que valoriza muito sua família.
Sempre foi um homem trabalhador, seringueiro e castanheiro(catador de castanhas). Além disso, fazia farinha, plantava e colhia: feijão, milho e arroz. Tinha criação de porcos, galinhas e bois.
Na época que a estrada para Assis Brasil ainda era no barro, Chico Macaxeira e seus filhos mais velhos chegavam a andar mais de 40 km pra chegar ao local para pegar o “carro da linha” que trazia os colonos para a rua, às vezes ele vinha até a cidade a pé.
De 1993 a 1998, ele foi responsável pela mini-usina da Associação Autônoma de Seringueiros e contavam com o apoio da SUDHEVEA(Superintendência da Borracha) órgão governamental que atuou na gestão e incentivo da produção da borracha natural do Brasil, principalmente do Acre com objetivo de incentivar a aumentar o beneficiamento local da borracha e proporcionar uma renda extra para os moradores locais.
Macaxeira é muito conhecido na zona rural e na cidade pela sua humildade, responsabilidade, honestidade e o coração acolhedor, gosta muito de ajudar a todos que precisam e recorrem a ele.
Chico Macaxeira é um homem temente a Deus, católico é devoto de São Francisco e de Nossa Senhora Aparecida.
Hoje ainda mora na Colocação Aurora e tira da terra seu sustento, deixando o extrativismo pela pecuária. Em contato constante com a natureza, não abandona o seu lugar. É um homem fixado na sua amada terra. Um lugar de paz e prosperidade que escolheu para viver e sustentar sua família.
Como diz o grande líder indígena, ambientalista e escritor brasileiro Ailton Krenak: “É no contato com a terra, que a vida segue seu rumo”.
Dois dos seus filhos, moram na localidade, casados, desempenham a função herdada por seu pai. Chico Macaxeira é avô de 10 netos e 5 bisnetos. Um amigo leal, marido amoroso, pai exemplar, sogro dedicado, avô carinhoso e um bisavô orgulhoso da família que construiu. Que Deus abençoe Chico Macaxeira e sua família.