Gesilda Nery de Moura e Francisco Neves de Moura

ICONES DE BRASILÉIA E EPITACIOLANDIA POR IVANA CRISTINA
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colunista: Ivana Cristina
Colaboração: Gilsinho e Chico Moura
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia

Gesilda nasceu em 16 de outubro de 1947, filha de João Nery da Costa e Zulmira Alves da Costa, que moravam no seringal Nazaré.
Quando tinha 16 anos, foi ao comício do MDB, no Seringal Carmem, Colocação Ilha. Lá conheceu Francisco Neves Moura, mas todos o conheciam pelo apelido de Chico Moura.
Quando ele olhou para aquela menina, não conseguiu pensar em mais nada. Ela era linda, tinha um belo sorriso, gentil, educada… Foi amor à primeira vista.
Chico Moura era viúvo quando conheceu Gesilda. Aos 20 anos, casou-se com Sebastiana Cavalcante. Moravam no seringal. Estavam casados há 09 meses e Sebastiana grávida de 04 meses, quando foram visitar a mãe de Sebastiana em outra colocação. Após alguns dias na casa da sogra, ele resolveu voltar para casa, precisava caçar e pescar, Sebastiana resolveu ficar. Durante à noite, ela caiu da rede e foi socorrida. Levaram-na para o hospital em Cobija. O Médico era Dr. Galindo Teran, apesar de todos os esforços para salvar a vida de Sebastiana e do bebê, ambos foram a óbito.
Chico Moura ficou enlutado, mas precisava reconstruir sua vida. Quando conheceu Gesilda, percebeu que ela era o amor que ele tinha esperado a vida toda.
Namoraram e casaram, ela aos 17 anos e ele aos 22 anos. Foram morar no Seringal Carmem, Colocação Samaúma, após algum tempo, foram morar em Guajará Mirim, passando um ano lá. Voltaram para o Seringal Carmem e depois foram morar por 02 anos em Rio Branco. Voltaram novamente ao Seringal Carmem, Colocação Três Barracas. Chegaram uns paulistas, compraram o seringal e eles vieram morar na Colônia União, BR 317, Km 08, Estrada do Pacífico. Em seguida foram morar no Seringal Etelvi, Km 75. Chico Moura era seringueiro, cortava seringa e quebrava castanhas. No Seringal Etelvi, tinha uma escola chamada Epaminondas Martins, e Gesilda foi convidada a trabalhar como merendeira. A coordenadora do Núcleo de Educação na época era a Professora Gesilda de Freitas Paixão, que acompanhou o trabalho de sua xará, Gesilda Moura, por um ano. Após esse período, Gesilda Moura, foi contratada como professora estadual da Escola Epaminondas Martins. Após alguns anos
a nova Coordenadora do Núcleo, Gislene Salvatierra reuniu um grupo de professoras leigas(Gesilda Moura, Maria Lopes, Francisca , dentre outras)e encaminhou-as a Xapuri, pelo período de um ano, para que pudessem concluir sua formação acadêmica.
Gesilda Moura lecionou por 12 anos na escola Epaminondas Martins.
Nasceram no seringal seus filhos mais velhos, os mais novos, não.
Os nomes dos filhos desse ilustre casal: Francisco Iran, Naldo, Gilmar, Maria e Gilcimar(Gilsinho).
Com o tempo Gesilda foi transferida para a cidade de Brasileia e veio trabalhar na Escola Getúlio Vargas. Exerceu o cargo de Gestora da Escola Municipal Ruy Lino. Formada em Pedagogia pela UFAC, retornou à Escola Getúlio Vargas onde aposentou-se, após 30 anos de trabalho.
Gesilda era católica, participava das missas, terços e principalmente das novenas de Natal. Era uma mãe amorosa, uma esposa companheira, uma profissional brilhante e uma amiga leal. Gostava de viajar, conversar, costurar e participar do forró dos idosos com suas amigas. Era uma mulher muito prestativa, querida e solidária, montava sacolão e entregava para as pessoas mais necessitadas.
João Nery e Pedro Nery, irmãos de Gesilda, moravam com ela e Chico Moura. Quando João Neri faleceu, ela ficou com o coração enlutado, pela partida do seu irmão. Pedro Nery continua morando na casa de Chico Moura.
Gesilda mandou fazer seu túmulo no cemitério de Epitaciolandia. Não queria dar trabalho para ninguém quando falecesse.
Após um período doente, Gesilda Moura faleceu dia 17 de dezembro de 2024, no período das novenas de Natal, que ela gostava tanto de participar.
Deixando seu esposo, filhos , netos, bisnetas, irmãos, noras, genro, amigos enlutados com sua breve partida.
Inúmeras pessoas compareceram ao seu velório, era querida e admirada.
Com sua breve partida, Chico Moura ficou solitário, apesar da companhia dos filhos, netos, cunhados e amigos, senti falta do seu grande amor. Sua casa está cheia de lembranças, em cada canto que olha, recorda a presença da amada. Até hoje, após um ano e cinco meses de seu falecimento, não consegue se desfazer de suas “coisas”(roupas, sapatos, máquina de costura…). Todo dia 17 vai ao cemitério acender velas no túmulo da sua esposa.
Foram casados por 60 anos e 5 meses, ela foi uma companheira de vida e sua vida nunca mais foi a mesma sem a presença do seu grande amor, Gesilda Moura.