A gestão municipal de Epitaciolândia segue acumulando episódios que oscilam entre o descaso cotidiano e situações que flertam com o constrangimento público. Enquanto moradores enfrentam ruas em condições precárias de trafegabilidade, convivem com falhas recorrentes na coleta de lixo e lidam com a falta de iluminação adequada, a administração atual parece assistir ao crescimento das críticas sem apresentar respostas concretas à altura dos problemas.
Como se o cenário já não fosse suficientemente desgastante, o município passa agora a figurar no radar do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), que levanta questionamentos sobre possíveis irregularidades envolvendo a realização de um show da cantora Joelma. O que deveria representar lazer e incentivo à cultura transforma-se, assim, em mais um ponto de dúvida na condução dos recursos públicos.
A ironia não escapa ao olhar da população: enquanto demandas básicas seguem negligenciadas, eventos de grande porte ganham protagonismo na agenda oficial — agora, inclusive, sob suspeita. Para muitos munícipes, a lógica da gestão parece invertida, priorizando o espetáculo em detrimento do essencial.
O possível acionamento por parte do TCE reforça a percepção de fragilidade administrativa e amplia a preocupação com a credibilidade institucional do município. Afinal, além dos problemas visíveis no cotidiano, Epitaciolândia passa a carregar também o peso de questionamentos formais sobre sua gestão.
Entre buracos, lixo acumulado e postes apagados, consolida-se a imagem de uma administração que reage mais às pressões do que antecipa soluções — e que, neste momento, deixa de estar sob os holofotes festivos para ocupar o centro das atenções de órgãos de controle que exigem transparência, responsabilidade e respeito ao dinheiro público.