Maria Conceição da Silva

ICONES DE BRASILÉIA E EPITACIOLANDIA POR IVANA CRISTINA
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colunista: Ivana Cristina
Colaboração: Acendina Pessoa e Deca
Depoimento da própria Conceição
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia volume II

Conceição nasceu em 28 de outubro de 1950, no Seringal Três Corações, na Bolívia
O seringal era de propriedade do pai do Meleco Farah. Conceição teve uma infância difícil no seringal, com o tempo veio morar com a família em Brasileia.
O tempo passou! Mãe muito jovem, precisava trabalhar para prover o sustento do filho. Estava à procura de trabalho, quando
Dona Amélia Farah convidou-a para trabalhar como cozinheira no Seringal Três Corações na Bolívia e Conceição aceitou o convite, levando seu filho Edson para o seringal.
Trabalhando no seringal, conheceu Nelson Meireles. Um homem dedicado ao trabalho, logo foram morar juntos e dessa união, tiveram 02 filhos: Edilene(Deca) e Edmilson. No início do relacionamento ele era muito bom para ela, mas
com o passar do tempo, Nelson começou a “judiar” de Conceição. Certo dia, quando Nelson saiu para trabalhar, Conceição fugiu com os filhos pequenos. Estava cansada de apanhar e não aguentava mais levar aquela vida.
Veio para Brasiléia morar com sua mãe, mas precisava trabalhar para sustentar seus três filhos.
Começou a trabalhar na Hospedaria do senhor Antônio Sabino, na beira do rio, em Vila Epitácio. A hospedaria era localizada perto do antigo porto da catraia, da antiga Agência da rodoviária e do antigo posto do Mansour. Funcionava um forró ao lado, o Forró da Florzinha.
A hospedaria do Antônio Sabino vivia cheia de hóspedes, com o tempo, além do café da manhã, passaram a servir almoço e jantar. Conceição aperfeiçoou seus conhecimentos culinários, cozinhava divinamente. Muitos caminhoneiros, vendedores ambulantes e viajantes ficavam hospedados e faziam suas refeições no salão da hospedaria. O movimento era intenso. Após 06 anos trabalhando na hospedaria do Antônio Sabino, Conceição, economizando cada centavo, pediu demissão e resolveu montar sua própria pensão em sua casa, localizada no Beco da Maringosa, assim ficaria mais próxima de seus filhos. Seu Antônio Sabino era um ótimo patrão, mas doía passar o dia longe de seus filhos, sem acompanhar o crescimento deles. Nesse período conheceu Seu Antônio, que tinha o apelido de “Preguiça”. Moraram por três anos e tiveram uma filha: Rosilene (apelido de Rosinha).
Conceição continuava trabalhando, os fregueses da hospedaria do Camurça almoçavam na pensão da Conceição. Seu tempero era elogiado por muitas pessoas, logo precisou ampliar seu negócio e mudou a pensão para o Barracão do senhor Massaude.
Mas, o espaço não era ideal para sua freguesia, precisava de um ambiente melhor.
Conceição sonhou em construir um restaurante. Mas, teve que trabalhar muito, economizando bastante para que seu sonho se tornasse realidade.
Era promessa de sua avó, que no dia que ela conseguisse montar seu próprio restaurante, ele teria o nome de “Bom Sucesso”.
E assim, ela fez,
o Restaurante Bom Sucesso foi inaugurado. Localizado em frente a Praça Hugo Polly, um local estratégico, atraia muitos frequentadores. A freguesia crescia a cada dia, muito trabalho envolvido e precisou contratar funcionários para ajudar no restaurante. A “lida” diária era cansativa, porém gratificante. Criou seus filhos e educou com os frutos do seu trabalho. Conceição casou-se com Antônio Carneiro, que trabalhava na Prefeitura. Antônio Carneiro era um homem muito conhecido e trabalhador, infelizmente faleceu.
Conceição conheceu Paulo Coelho da Silva, e estão juntos há 40 anos.
Conceição trabalhou por muito tempo, rotina cansativa e já não tinha o vigor de outrora. Ela adoeceu e não conseguiu acompanhar aquele ritmo diário de trabalho do restaurante. Infelizmente, após 30 anos de funcionamento, o Restaurante Bom Sucesso fechou suas portas.
Há 18 anos, Conceição sofre com a doença de Parkinson. Um distúrbio neurodegenerativo crônico que afeta o sistema motor, causando tremores e lentidão de movimentos.
Atualmente, mora na parte “alta da cidade”, na companhia de seu esposo Paulo, cercada por seus filhos e netos.
Às vezes, senti saudades do trabalho no restaurante, no vai e vem das pessoas, nas conversas rotineiras e das amizades. Impossibilitada de realizar tarefas domésticas, senti falta de “cuidar das suas coisas” em casa, principalmente de cozinhar.
Conceição é uma mulher forte, faz tratamento contínuo e mantém-se lúcida. Recorda com saudades dos colegas que trabalharam com ela no Restaurante Bom Sucesso.
Os cuidados e o amor que sua família dedica a ela, são essenciais para sua recuperação. Seu esposo, seus 04 filhos, 06 netos e 08 bisnetos são seus amores, seus alicerces e sua esperança para um futuro melhor.
Conceição é uma mulher admirável, guerreira, batalhadora, uma mãe aguerrida que criou seus filhos em meio às dificuldades da época e se manteve firme, com fé na recuperação de sua saúde.