colunista: Ivana Cristina
Colaboração: Raíssa e Ramiege Rodrigues
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia
Miguel Dias da Silva, nasceu em 28 de setembro de 1937, veio de Belém do Pará para o Acre no auge da borracha. O “ouro negro” atraia os “brabos” como diziam na região. A exploração da borracha estava no ápice e os navios transportavam muitas pessoas para essa terra. Havia um navio chamado “Coral” onde realizava o comércio de borracha. Miguel trabalhava no navio coral, comprando e vendendo borrachas. Logo ganhou o apelido de Miguel da Coral, em referência ao navio.
A borracha tinha perdido seu apogeu, comercializar no navio já não dava tanto retorno e Miguel resolveu se estabelecer em Brasileia. Abriu um comércio na “Rua da Frente”(Avenida Perfeito Rolando Moreira). O lugar era estratégico, às margens do rio, atracavam embarcações em direção aos seringais para compra de castanhas e “peles” de borracha.
Miguel da Coral vendia mercadoria para abastecer os seringais e recebia cada freguês com um sorriso no rosto. Seu comércio tinha diversos produtos, além dos alimentícios, vendia também querosene, pilhas, lanternas, anzol, linha, dentre outros. Muitas vezes, recebia o pagamento em castanhas e borrachas, que revendia para os atravessadores.
Mas, a diferença do Miguel da Coral para os outros comerciantes, era a “prosa”, entre um gole de café, a conversa sobre os negócios da região e as informações vindas de Belém, fazia o diferencial.
Miguel era um grande parceiro dos produtores e comerciantes da época. E nesse período conheceu o grande amor de sua vida, Raimunda Gomes. Ela já tinha um filho de seis meses, Jazieder. Miguel, Raimunda e Jazieder formaram uma só família. Logo, as pessoas a chamavam de “Raimundinha do Coral”.
Miguel da Coral tinha uma paixão: carnaval. Aproveitava o carnaval pulando com os amigos, às vezes fantasiados, outras não. Ele se tornava um homem cheio de energia e sua alegria era contagiante.
Com o passar do tempo, nasceu sua linda filha Ramiege, fruto do amor de Miguel e Raimunda. Uma criança encantadora, que uniu mais aquele casal.
Além do carnaval, Miguel gostava de
convidar os amigos para “aquele” almoço delicioso de domingo feito no capricho pela sua esposa Raimundinha. Era uma grande satisfação ver todos reunidos no “almoço de domingo”.
Miguel da Coral adoeceu e lutou muito pela recuperação de sua saúde. Infelizmente no dia 09 de janeiro de 1994, ele faleceu aos 57 anos de idade.
Deixando o coração de sua família e amigos enlutados com sua partida.
Miguel partiu cedo, não acompanhou sua filha Ramiege formando uma linda família. Não viu o nascimento dos seus netos e nem a beleza de cada um. Mas, seu legado familiar jamais será esquecido, pelo esposo amoroso, pai exemplar e um amigo inesquecível que foi.
Miguel da Coral foi um homem simples, acolhedor, generoso e prestativo. Um grande empreendedor, que deixou marcas no coração de quem o conhecia, um ícone, que apesar do tempo continua vivo no coração dos familiares e amigo