Reportagem: Helizardo Guerra
No bairro Aeroporto, em Epitaciolândia, moradores convivem com aquilo que, ao que tudo indica, já virou política pública não oficial: o abandono sistemático. A equipe de reportagem do site De Frente com a Notícia esteve no local a convite da própria comunidade — afinal, quando o poder público não aparece, alguém precisa testemunhar o óbvio.
Logo na chegada à Rua Naldo Mesquita, o cenário dispensa grandes explicações e, talvez, qualquer esforço da gestão em disfarçar: lixo acumulado em vias públicas, transformando ruas em autênticos “cartões-postais” do descaso. O descarte irregular, somado à ausência de coleta eficiente, compõe um ambiente que flerta diariamente com riscos à saúde e ao mínimo de dignidade.
A iluminação pública, por sua vez, parece seguir uma lógica própria — ou a completa ausência dela. Em um trecho com nove postes, apenas dois funcionam. Os demais cumprem, talvez, função decorativa. O resultado é previsível: insegurança, dificuldade de locomoção e uma rotina noturna entregue à própria sorte, especialmente para trabalhadores, estudantes e fiéis que transitam pela região.
Morador há 25 anos do bairro, sendo nove deles na mesma rua, José Dias relata que o problema não é novidade — o que, por si só, já diz muito. Segundo ele, nas áreas mais baixas, a situação consegue ser ainda mais crítica, o que parece um esforço involuntário de superação… para pior.
Durante a visita, a equipe percorreu a Rua Naldo Mesquita, onde a realidade avança de preocupante para praticamente intransitável. A ausência de infraestrutura básica é tão evidente que ambulâncias e viaturas simplesmente não acessam a área. Em outras palavras: em caso de emergência, resta torcer para que o problema resolva-se sozinho.
“Estamos assim há mais de oito anos. Quando cheguei aqui, já era precário, e só piorou. Prometeram melhorias durante a campanha, mas até hoje nada foi feito”, afirma o morador, resumindo com precisão o ciclo já conhecido entre promessa e esquecimento.
Os relatos dos moradores seguem uma linha comum: durante o período eleitoral, a comunidade recebe visitas, atenção e compromissos. Passadas as eleições, resta apenas a lembrança — e, claro, os mesmos problemas, agora ainda mais consolidados.
A ausência de serviços básicos, como coleta regular de lixo e manutenção das vias, reforça um cenário em que o abandono não parece acidental, mas contínuo. Em alguns trechos, ruas deixaram de existir, engolidas pelo mato, como se a própria cidade estivesse desistindo de si mesma.
Os impactos vão além da infraestrutura. Saúde e segurança pública tornam-se conceitos teóricos diante da realidade local. “Se alguém adoecer aqui, como uma ambulância vai chegar? Como a polícia entra?”, questiona José Dias — perguntas que, até o momento, seguem sem resposta prática.
Outro ponto levantado pelos moradores é a atuação dos vereadores, que, segundo relatos, se faz ausente tanto na presença quanto nas soluções. Visitas são raras; respostas, ainda mais.
Diante desse cenário, a comunidade faz um apelo — não por privilégios, mas pelo básico: infraestrutura, coleta de lixo regular e iluminação pública funcional. Demandas simples, mas que, aparentemente, seguem fora do alcance das prioridades municipais.
A equipe de reportagem continuará acompanhando a situação, dando visibilidade ao que muitos preferem não ver. No bairro Aeroporto, o pedido é direto: menos promessas sazonais e mais respeito permanente.


