Reportagem: Helizardo Guerra
Moradores do bairro Satel, na Rua Beira Rio, em Epitaciolândia, vivem um clima crescente de revolta, cobrança e, sobretudo, desconfiança em relação à gestão do prefeito Sérgio Lopes e à atuação da Câmara Municipal. O sentimento é alimentado pelo silêncio da Prefeitura diante do fechamento total da via localizada próximo a cabeceira da ponte, interditada há um ano e oito meses, sem explicações claras, cronograma definido ou qualquer alternativa de trafegabilidade para a população.
Segundo os moradores, a interdição escancara o abismo entre as promessas feitas durante a campanha eleitoral e a prática administrativa. A obra da ponte foi anunciada com início previsto para julho de 2024 e entrega para dezembro do ano de 2025, prazos que já foram amplamente descumpridos. Até o momento, no entanto, a construção sequer saiu do papel.
Os problemas se agrava porque, enquanto a obra não começa, a rua permanece totalmente fechada, deixando empresários, trabalhadores e famílias reféns da inércia do poder público. “Não fazem a ponte, não abrem a rua e não dão nenhuma satisfação. Estamos tendo prejuízos diários com a falta de trafegabilidade. Essa rua nunca deveria ter sido fechada”, relata um microempresário da região.
O comerciante destaca ainda os impactos diretos na economia local. “Hoje estamos amargando abandono e prejuízo. Do tapeceiro ao mecânico, todos estão perdendo. Os hotéis estão sem clientes. E quem vai assumir nossos prejuízos? Cadê os vereadores, que sequer aparecem aqui para dar uma explicação?”, questiona. Para os moradores, a sensação é de invisibilidade: “É como se a população não existisse”.
A principal crítica da comunidade não se restringe apenas à ausência da obra, mas recai, sobretudo, sobre a falta de diálogo, transparência e respeito por parte da administração municipal e dos vereadores. Para quem vive e trabalha na região, o silêncio prolongado da Prefeitura e a omissão da Câmara Municipal aprofundam a percepção de descaso e abandono institucional.
A interdição afeta diretamente a rotina e o sustento de dezenas de famílias. Na Rua Beira Rio funcionam cinco oficinas mecânicas, uma empresa de serviços hidráulicos, dois hotéis, um areal, além de diversas residências. Todos dependem do acesso para trabalhar, receber clientes e fornecedores e manter suas atividades. Com a via bloqueada, os prejuízos se acumulam e a paciência da comunidade chega ao limite.
A cobrança dos moradores é objetiva: se a ponte não será construída neste momento, que a Prefeitura ao menos libere a rua para garantir a trafegabilidade. Caso existam impedimentos técnicos ou financeiros, que a gestão municipal venha a público prestar esclarecimentos. O que não é mais aceitável, segundo a comunidade, é o silêncio e a falta de respostas.
Para os moradores da Rua Beira Rio, o episódio reforça a desconfiança em relação às promessas de campanha. Em meio às articulações políticas e às pretensões eleitorais do prefeito, que já manifesta interesse em disputar um cargo de deputado estadual, compromissos assumidos com a população parecem ter ficado pelo caminho — assim como a rua, fechada, esquecida e sem qualquer previsão concreta de solução.






