R$ 2,7 milhões, uma rua pela metade e respostas pela metade: o “progresso” sem fim de Epitaciolândia, exposto por Ademir Sales VEJA FOTOS E VIDEO

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Reportagem: Helizardo Guerra

Durante o uso da tribuna na Câmara Municipal de Epitaciolândia, o vereador Ademir Sales fez aquilo que, ao que tudo indica, tem se tornado rotina: lembrar à gestão municipal que obras públicas não deveriam ser tratadas como promessas eternas.

Entre críticas à infraestrutura urbana, ao abandono de espaços públicos e à já conhecida “transparência seletiva” na aplicação de recursos, o parlamentar destacou a situação da Rua Fontenele — um verdadeiro monumento à obra inacabada. Segundo ele, cerca de R$ 2,7 milhões foram investidos em pouco mais de um quilômetro de asfalto que, curiosamente, ainda não chegou ao fim. “Já ocorreram acidentes no local”, pontuou, como se isso fosse apenas um detalhe incômodo no roteiro.

A pergunta que ficou no ar — e sem resposta — foi direta: quem paga a conta dos prejuízos? A empresa responsável ou a prefeitura? Pelo visto, a dúvida segue tão aberta quanto alguns bueiros da cidade.

E por falar em bueiros, o vereador também chamou atenção para estruturas abertas e lixo acumulado em diversos pontos, inclusive nas proximidades da Escola Belo Povo. Um cenário que, ao que parece, oferece aos alunos não apenas educação, mas também uma aula prática sobre negligência urbana.

Ademir ainda destacou o abandono de prédios públicos que já abrigaram serviços essenciais. Enquanto isso, a gestão opta por alugar novos espaços — uma estratégia que, ironicamente, transforma o desperdício em política administrativa. Afinal, por que reutilizar o que já existe quando se pode gastar mais?

No campo das finanças, o vereador cobrou esclarecimentos sobre recursos oriundos de emendas parlamentares, mencionando o senador Márcio Bittar. Segundo ele, a população ainda aguarda o básico: saber onde, afinal, o dinheiro foi parar.

A lista de problemas segue previsível: iluminação pública precária, falta de drenagem, dificuldades de acesso em bairros e um mercado municipal que expõe comerciantes a riscos — quase como se segurança fosse um item opcional no planejamento.

Ao final, Ademir Sales reafirmou seu papel como fiscal do município e garantiu que continuará cobrando melhorias. Uma promessa que, convenhamos, a população espera que tenha um desfecho diferente das obras que ele próprio denunciou.