Sem plano, sem zelo, sem iniciativa: prefeitura se rende ao clamor dos munícipes

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Reportagem: Helizardo  Guerra

Os vídeos que circulam nas redes sociais revelam uma cena que dispensa grandes explicações: lixo acumulado à beira dos ramais, urubus fazendo a festa e moradores convivendo com o descaso como se ele já fizesse parte da paisagem oficial. O que deveria ser uma rotina básica da administração pública transformou-se em um espetáculo constrangedor, no qual a ausência do poder público fala mais alto do que qualquer discurso institucional.

Durante dias — ou semanas — o lixo se acumulou, servindo de banquete para urubus e de retrato fiel do abandono imposto a quem vive longe do centro urbano. A coleta, que deveria obedecer a um cronograma mínimo de organização e respeito à saúde pública, só deu sinais de existência depois que a pressão popular ganhou força e a exposição nas redes sociais se tornou impossível de ignorar.

A prefeitura, então, “se rende”. Não por planejamento, zelo ou compromisso com os moradores do ramal da estrada velha próximo ao ramal do Japão, mas empurrada pela vergonha pública. Quando os urubus chegam antes do caminhão do lixo, algo está profundamente errado. A ação tardia não resolve o problema — apenas confirma que, sem cobrança, o abandono segue como política silenciosa e persistente.

Enquanto isso, os moradores continuam reféns de um modelo de gestão que só reage quando a situação sai do controle e vira escândalo. O lixo até desaparece, mas a pergunta permanece: até quando serviços essenciais dependerão da pressão popular para funcionar? Nos ramais, a percepção é clara — o direito só vale quando vira denúncia, e a dignidade só aparece quando a omissão já ficou evidente demais para ser escondida.