Reportagem: Helizardo Guerra
EPITACIOLÂNDIA — Moradores dos bairros Fontenelle de Castro e José Hassem afirmam que vivem uma espécie de “experiência radical urbana” imposta pela falta de infraestrutura básica. Ruas intrafegáveis e uma ponte improvisada fazem parte do cotidiano de quem, apesar de pagar impostos em dia, segue esquecido pela gestão municipal.
Após inúmeros pedidos da população, a reportagem do Jornal De Frente com a Notícia esteve nos locais denunciados para constatar de perto a realidade enfrentada pelas famílias.
Na Rua Francisco Andrade, no bairro Fontenelle de Castro, a situação beira o intransitável. A ladeira que dá acesso à via principal do bairro mais parece um campo de testes para suspensões de carros e motos. Buracos profundos tomam conta da rua, obrigando moradores a deixarem seus veículos no topo da ladeira — um privilégio apenas para quem ainda consegue chegar até lá. Para completar o cenário, esgoto corre a céu aberto, oferecendo riscos à saúde pública e reforçando o abandono.
“Pagamos IPTU em dia, mas pelo visto isso não inclui o direito a uma rua minimamente trafegável”, ironizou um morador, que preferiu não se identificar.
Ponte improvisada, risco permanente
Outro ponto crítico é a ponte de madeira que liga os bairros Fontenelle de Castro e José Hassem. A estrutura, visivelmente deteriorada, possui tábuas soltas, ausência de iluminação e nenhuma sinalização, transformando a travessia diária em um verdadeiro ato de coragem.
“Aqui mal passa uma moto. Quem atravessa todo dia vive rezando para chegar do outro lado”, relatou um morador. Segundo a comunidade, essa é a principal ligação entre os bairros. Quem prefere evitar o risco precisa dar uma longa volta pela Avenida Internacional — um detalhe que, aparentemente, não consta no planejamento urbano da cidade.
Apesar das promessas reiteradas do prefeito reeleito de Epitaciolândia, os moradores afirmam que, até agora, as ações ficaram apenas no discurso.
Quando há apoio, a obra acontece
Curiosamente, iniciativas semelhantes já foram realizadas no próprio município quando houve apoio institucional. Em publicação no site oficial do Governo do Acre, o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) destinou metros cúbicos de madeira para a reforma de pontes em Epitaciolândia, com a presença do presidente do órgão, André Hassem. O material foi utilizado para recuperar travessias afetadas pela cheia do Rio Acre, garantindo segurança e mobilidade à população.
Outra ação também registrada destacou a entrega de madeira para a reforma das passarelas da Ponte José Augusto, que liga Epitaciolândia a Brasiléia — novamente com participação do Imac. O exemplo demonstra que, quando há vontade e prioridade, a solução aparece.
Ainda assim, segundo os moradores, a ponte que liga o Fontenelle de Castro ao José Hassem segue invisível aos olhos do poder público municipal.
Prioridades que geram indignação
A indignação cresce diante das prioridades adotadas pela administração. Enquanto ruas permanecem esburacadas e pontes ameaçam ceder, moradores relatam que recursos públicos continuam sendo direcionados a eventos festivos e contratações artísticas de alto custo.
“Não estamos pedindo luxo nem show. Queremos apenas o básico: o direito de ir e vir com dignidade e segurança”, afirmou uma moradora.
O Jornal De Frente com a Notícia reforça que o espaço segue aberto para que a Prefeitura de Epitaciolândia se manifeste, apresente esclarecimentos e informe, se houver, um cronograma de obras para os bairros citados.






