Moradores do Bairro Satel, na Rua Benevenuto Peres de Lima, em Epitaciolândia, vivem há mais de 20 dias sob um espetáculo de abandono promovido pela ausência total da coleta de lixo nos lixeiros comunitários. Logo na única via de acesso ao bairro, o cartão de visitas é claro: um corredor de sujeira, mau cheiro e risco à saúde pública, que dispensa explicações e escancara o descaso.
O lixo acumulado já não cabe nos lixeiros — transbordou para o chão, para o ar e para a rotina de quem passa pelo local. Sacos rasgados, restos orgânicos expostos e resíduos espalhados compõem a paisagem, enquanto urubus e outros animais fazem o que o poder público não faz: aparecem diariamente. O odor é constante, agressivo e impossível de ignorar, transformando o simples ato de transitar pela rua em um teste de resistência.
Segundo os moradores, os pedidos de providências à administração municipal se repetem como um ritual inútil: reclama-se, protocola-se, espera-se — e nada acontece. A resposta oficial é o silêncio, enquanto crianças, idosos e trabalhadores seguem obrigados a conviver, em pleno dia, com um ambiente insalubre que afronta qualquer noção mínima de dignidade.
A cada dia sem coleta, cresce a indignação de quem se sente invisível para o poder público. O que deveria ser um serviço básico virou símbolo explícito de negligência administrativa. Não se trata mais apenas de lixo acumulado, mas do acúmulo de desprezo, de riscos sanitários e da certeza de que, para alguns bairros, a gestão municipal só chega em época de discurso. Os moradores cobram ações urgentes e respeito — antes que o descaso, já fedido, se torne irreversível.