Maria das Graças de Araújo

ICONES DE BRASILÉIA E EPITACIOLANDIA POR IVANA CRISTINA
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colunista:
Ivana Cristina
Colaboração: Maria das Graças Araújo
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia

Maria nasceu no Sítio Pau Ferrado, município de Jucurutu, no Rio Grande do Norte, em 11 de novembro de 1948. Filha de Sebastião Elviro de Araújo e Benedita Paulina de Melo. O pai era boiadeiro e trabalhava com agricultura. Sua mãe era costureira e doceira. Juntos, tiveram 05 filhos.
Maria teve uma infância difícil, seu pai não a aceitava, era muito severo, nunca fez um gesto de carinho, não a deixava estudar e colocava ela para trabalhar mesmo criança. Ao contrário de seu pai, seu Padrinho Francisco Teotônio de Medeiros, amava-a muito. Deu inclusive um dote de gado para ela(era comum no Nordeste dar um dote).
Sua irmã Chaguinha veio morar no Acre. Quando seu pai faleceu, sua irmã Chaguinha foi buscar a mãe delas. Maria ficou em Jucurutu fazendo Exame de Admissão, tendo em vista que seu pai não tinha deixado ela estudar quando criança.
Assim que terminou o Exame de Admissão , Maria veio para o Acre, em 02 de fevereiro de 1973, para encontrar com sua mãe.
Chegando a cidade de Brasiléia começou a trabalhar como balconista durante o dia e estudava à noite. Maria trabalhou de balconista na Casa Castro e no Quincas Barroso. Trabalhou no hospital, na Secretaria de Fomento e na Educação.
Conheceu Juarez Jacó da Silva, quando estudaram juntos. Namoraram por três anos e casaram em 05 de março de 1977. Maria queria casar com um homem trabalhador, humilde, sincero e honesto. Juarez reunia todos esses requisitos. No início foi muito difícil, trabalharam muito para prover o sustento da família. Juarez era agricultor e Maria era professora na Escola Padre André Natalino do Km 13, ramal. Seus filhos nasceram: Francisca Araújo da Silva, Frain Araújo da Silva, Félix Araújo da Silva e Juarez Júnior Araújo da Silva. Eles cresceram ajudando os pais na lida diária, mas, sempre priorizando os estudos. Maria e Juarez educaram seus filhos para lutar e vencer na vida por seus próprios esforços.
Maria e Juarez começaram a criar gado, para complementar a renda. Ele “tirava” leite e Maria fazia deliciosos queijos para Juarez vender na cidade. A colônia no Km 13, prosperava, muito trabalho investido, dava gosto de se ver. À noite, se reuniam para conversar sobre a lida diária, uma família feliz.
Com o tempo, compraram um carro e Juarez fazia a linha do Km 13 do “T” para Brasiléia, transportando moradores do ramal. Maria e Juarez compraram uma casa na cidade de Brasiléia. Na rua em que moravam não tinha nenhum ponto comercial. Maria fez um empréstimo e montaram um pequeno comércio. Juarez era muito atencioso, atendia a todos com muita cortesia e vendia fiado para os funcionários públicos. Os fiados eram anotados em um caderno. Era o começo de um sonho para a família. Com o tempo, o comércio ganhou freguesia e teve que expandir. Maria continuou a trabalhar como professora, lecionou na Escola Getúlio Vargas, Instituto Odilon Pratagi e Fontenele de Castro, onde se aposentou. Maria quando não estava lecionando ou planejando, ajudava no comércio.
O comércio precisava de um espaço mais amplo e financiaram o Super Sertanejo na Avenida Rui Lino, em frente a Rodoviária de Brasileia.
O Super Sertanejo foi inaugurado em 2011. Sua inauguração foi um sucesso. Tinha um tanque com peixes vivos dentro do supermercado. As pessoas escolhiam os peixes e eram tratados e entregues aos fregueses. O Super Sertanejo era um sonho. Bem centralizado, com ótima freguesia e bem abastecido.
O comércio estava no auge, quando veio a separação.
Casada com Juarez por 37 anos, com 04 lindos filhos e netos, o casamento chegou ao fim.
Após esse período veio a decadência do comércio. Maria e Juarez seguiram rumos diferentes. Ele foi morar em Rio Branco e Maria continua morando em Brasileia.
Maria, hoje, sente-se realizada, seus filhos são formados e desempenham importantes funções. Sua filha, Francisca é Médica, Frain é Policial, Félix é Enfermeiro e Júnior é empresário. Maria sente-se honrada por seus filhos terem seguido o caminho do bem.
Dona Maria é evangélica. Batizou-se na Igreja Congregação Cristã em 09 de junho de 1991.
Maria sempre lutou e continua lutando, gosta de construir, reformar, ter um espaço só seu. Incompreendida por uns, admiradas por outros, essa é Maria das Graças, uma guerreira, uma mulher que enfrentou as dificuldades
na vida, desde de sua infância, mas nunca deixou-se abater.
Gosta de falar o que pensa e visitar sua colônia no Ramal do Km 13. O lugar onde tudo começou está reservado em seu coração. Lá, onde os inúmeros pés de mangueiras, balançados pelo vento, são carregados de histórias, trazem boas recordações do passado. Sua colônia é um lugar de paz e boas lembranças.
Dona Maria é uma ótima vizinha, mora sozinha por opção e construiu sua casa para ficar mais próxima do seu irmão Manoel e família.