Reportagem: Helizardo Guerra
Em Epitaciolândia, o calendário de festas parece andar em ritmo acelerado, enquanto a infraestrutura urbana segue em marcha lenta — quando não totalmente parada. O desabafo dos munícipes ecoa pelas ruas esburacadas, alagadas e esquecidas, revelando um sentimento comum: a sensação de que a gestão municipal prefere investir em palcos, luzes e atrações musicais, enquanto o básico para quem precisa sair de casa cedo para trabalhar continua sendo tratado como detalhe.
Para muitos moradores, a rotina começa antes mesmo do sol nascer, mas não é o despertador que mais preocupa. O verdadeiro desafio é conseguir sair da rua sem atolar o carro, perder o calçado na lama ou enfrentar verdadeiras trilhas improvisadas em vias que, no papel, deveriam ser ruas. “Aqui, para ir trabalhar, o cidadão precisa de fé, paciência e, de preferência, um veículo alto”, ironiza um morador do bairro Liberdade.
Enquanto isso, os investimentos em shows e eventos chamam atenção pela rapidez com que são anunciados e executados. Estruturas são montadas em tempo recorde, artistas contratados e a divulgação ocorre de forma eficiente — um contraste evidente com a lentidão das obras de drenagem, quando existem, além da pavimentação e da manutenção urbana. Para o contribuinte, fica a pergunta inevitável: por que, para a festa, tudo acontece, mas para o trabalhador sobra apenas a promessa?
A crítica não é contra a cultura ou o lazer, fazem questão de ressaltar os munícipes. O incômodo está na inversão de prioridades. “Ninguém é contra festa, mas antes do som alto, a gente queria pelo menos uma rua que desse para passar”, resume outro morador, traduzindo o sentimento coletivo.
O sarcasmo ganha força quando se observa que, após os eventos, o cenário volta ao normal: lama, buracos, iluminação precária e transporte comprometido. A festa acaba, os palcos são desmontados, mas os problemas permanecem firmes, como se fizessem parte permanente da paisagem urbana.
Diante disso, cresce a cobrança por uma gestão que trate a infraestrutura como prioridade, e não como promessa de campanha. Os munícipes pedem menos espetáculo e mais ação concreta. Afinal, para quem precisa trabalhar todos os dias, o básico não deveria ser luxo — deveria ser obrigação.