No Descompasso do Progresso: Epitaciolândia atravessa momento crítico na gestão municipal, enquanto vereadores parecem assistir de camarote

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Reportagem: Helizardo Guerra 

No Descompasso do Progresso: Epitaciolândia atravessa momento crítico na gestão municipal, enquanto vereadores parecem assistir de camarote

Entre promessas de avanço e a realidade das ruas, população cobra resultados e questiona os rumos da administração municipal

Epitaciolândia deveria estar vivendo aquilo que o próprio nome sugere: progresso. Mas, diante da realidade encontrada diariamente por parte da população, a sensação é de que o tão anunciado desenvolvimento resolveu pegar outro caminho — e, até agora, ninguém descobriu exatamente onde ele foi parar.

Enquanto discursos oficiais costumam ser recheados de palavras como planejamento, compromisso, desenvolvimento e futuro, nas ruas o cidadão continua encontrando problemas antigos, serviços que deixam a desejar e demandas que parecem ter criado raízes nas portas da administração municipal.

O contraste chega a ser quase irônico: fala-se tanto do futuro que o presente parece ter sido colocado em modo de espera.

É como anunciar uma grande estrada rumo ao progresso e, quando chega a hora de viajar, descobrir que esqueceram de construir a estrada.

A promessa encontrou a realidade

A atual administração municipal chegou ao poder cercada de expectativas. Como é natural no início de qualquer governo, a população esperava mudanças, eficiência e respostas para problemas que há anos desafiam o município.

Mas o tempo passa.

E, com ele, a paciência do cidadão diminui.

Promessa, afinal, pode render aplausos durante uma campanha, mas possui prazo de validade. Já os problemas da cidade não costumam esperar calendário político.

Administrar um município não significa apenas produzir discursos, publicar fotografias, anunciar intenções ou movimentar as redes sociais. Gestão pública se mede, principalmente, pela capacidade de transformar planejamento em ações concretas e recursos públicos em serviços que possam ser percebidos no cotidiano da população.

É na rua que a gestão é testada.

É no posto de saúde que o cidadão percebe se o atendimento funciona.

É na coleta de lixo que se mede a eficiência da limpeza urbana.

É na iluminação pública que o morador percebe se o serviço chegou.

É nas ruas e ramais que o discurso sobre infraestrutura encontra — ou não — sustentação.

E quando a realidade insiste em contrariar a propaganda oficial, a discussão deixa de ser apenas política e passa a ser, inevitavelmente, administrativa.

O velho argumento da herança

Outro ponto que começa a gerar questionamentos é a utilização recorrente dos problemas herdados de administrações anteriores como justificativa para as dificuldades atuais.

É evidente que nenhum gestor recebe uma prefeitura completamente pronta, sem problemas, dívidas, demandas ou desafios. Toda administração herda alguma coisa.

Mas existe uma diferença importante entre herdar problemas e permanecer administrando os problemas como se eles fossem patrimônio histórico.

A população não elege um prefeito para descobrir quem foi o culpado pelo passado. Elege para saber quem será responsável por resolver o presente.

Se a gestão anterior deixou dificuldades, cabe à atual administração explicar quais medidas estão sendo adotadas para enfrentá-las, quais resultados já foram alcançados e quais são os prazos para solucionar aquilo que ainda permanece pendente.

Porque, convenhamos, se toda dificuldade puder ser explicada eternamente pela administração anterior, corre-se o risco de o passado se tornar o funcionário mais eficiente da prefeitura — sempre trabalhando para justificar os problemas do presente.

E os vereadores?

No meio desse cenário, também surge uma pergunta inevitável sobre o papel do Poder Legislativo municipal.

Onde estão os vereadores?

A Câmara Municipal deveria ser um espaço permanente de fiscalização, cobrança e debate sobre os problemas que afetam diretamente a população.

Não se espera que vereador governe a cidade. Essa não é sua função.

Mas espera-se que fiscalize, questione, cobre explicações, acompanhe contratos, analise a aplicação dos recursos públicos e represente os interesses da população.

Quando problemas se acumulam e a população demonstra insatisfação, o silêncio do Legislativo pode transmitir uma impressão preocupante: a de que alguns vereadores preferem observar os acontecimentos à distância, como quem assiste ao jogo da arquibancada e espera apenas o apito final.

Fiscalizar não deveria ser um ato de coragem política. Deveria ser obrigação institucional.

E, quando a fiscalização parece tímida diante dos problemas enfrentados pelo município, a população tem todo o direito de perguntar: quem está fiscalizando quem?

O descompasso do progresso

O chamado “descompasso do progresso” está justamente aí.

Enquanto se fala em avanço, parte da população continua esperando pelo básico.

E não existe estratégia de comunicação capaz de pavimentar uma rua, tapar um buraco, melhorar um atendimento ou solucionar um problema estrutural.

A população não quer apenas ouvir que “vai melhorar”.

Quer saber quando, como, onde e com quais recursos.

Quer cronograma.

Quer execução.

Quer resultado.

Epitaciolândia precisa de mais do que anúncios. Precisa de planejamento, transparência, fiscalização, execução e, principalmente, resultados que possam ser percebidos fora das redes sociais e dentro da vida real.

A população está olhando

A crítica a uma administração pública não deve ser confundida automaticamente com oposição política.

Cobrar o poder público é parte essencial da democracia.

O dinheiro é público. Os serviços são públicos. O mandato é temporário. E a população tem o direito de saber onde os recursos estão sendo aplicados e quais benefícios estão efetivamente chegando às comunidades.

Se a atual gestão pretende escrever uma nova página na história administrativa de Epitaciolândia, ainda há tempo para mudar o roteiro.

Mas será necessário trocar o discurso pela ação, a promessa pela entrega e a justificativa pelo resultado.

Porque, no fim das contas, o cidadão não mede uma administração pelo tamanho das promessas feitas em palanques, entrevistas ou redes sociais.

Mede pelo tamanho das entregas.

E quando uma cidade fala em progresso, mas o cidadão ainda precisa cobrar pelo básico, uma pergunta inevitavelmente permanece no ar:

Epitaciolândia está realmente avançando ou apenas falando sobre o caminho?

Talvez esteja aí o verdadeiro descompasso do progresso.

Porque progresso de verdade não precisa ser anunciado o tempo inteiro.

Ele aparece nas ruas, nos serviços públicos, na infraestrutura e, principalmente, na vida das pessoas.