colunista: Ivana Cristina
Colaboração: Eliene Amaral de Oliveira Ribeiro(neta)
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia
Em 1946, o Ceará e grande parte do Nordeste registraram anomalias climáticas e escassez de chuvas, inserindo-se em uma sequência de anos secos e difíceis, fatores que influenciaram a retirada de muitos nordestinos em direção à Amazônia. Dentre eles, Antônio Lopes de Oliveira.
A SEMTA(Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia) recrutava trabalhadores para as grandes Empresas como a Casa Zaire e a Casa Kalume que financiavam os seringais e controlavam o sistema de aviamento.
Antônio saiu de Lavras da Mangabeira no Ceará, em 1943. Se apresentou em Iguatu(Ceará) e fez a inspeção de saúde. Viajou para Fortaleza, Tianguá, Sobral, Teresina, Coroatá e São Luís. Após esse percurso, embarcou em um navio com outros corajosos homens rumo ao desconhecido.
A chegada ao Seringal Amapá em Sena Madureira foi em 25 de novembro de 1943, onde trabalhou extraindo seringa por 17 anos. Casou-se com Rita Pereira de Oliveira e tiveram 9 filhos, hoje, são 7 filhos vivos. Sendo: Raimundo Pereira de Oliveira, Francisca Pereira de Oliveira, Maria Pereira de Oliveira, Jorge Pereira de Oliveira, Maria das Graças Pereira de Oliveira, Antônio Pereira de Oliveira e Antônia Pereira de Oliveira. Seus filhos lhe deram 25 lindos netos e 27 bisnetos.
Antônio Lopes de Oliveira era um homem muito trabalhador, enfrentou inúmeros desafios, mas nunca desistiu, apesar de todas as dificuldades que encontrou.
Morou por muitos anos no Km 26, mais 4km de ramal no Projeto Quixadá em Brasiléia.
Apesar de não ter muito estudo, Antônio Lopes era um homem muito sábio, um poeta autodidata, escrevia em um caderno amarelado pelo tempo, o registro de suas rimas. Sonhava em ter um livro publicado com suas rimas.
Antônio Lopes foi um ótimo marido, um excelente pai, um avô inesquecível e um bisavô amável. Um homem que deixou marcas por onde passou. Tinha orgulho em ser um Soldado da Borracha, reconhecimento por anos de trabalho na floresta acreana, principalmente no corte da seringa. Foi um seringueiro dedicado e tinha muito orgulho disso. Antônio Lopes usava sempre uma frase: “Ainda hoje, sou um soldado da borracha”. Infelizmente no dia 26 de maio de 2016, partiu, deixando o coração enlutado da sua amada família. Hoje, aos cuidados da filha Maria das Graças, sua eterna e leal companheira Rita Pereira de Oliveira sente sua ausência durante esses 10 anos que ele partiu. Uma vida construída com muita dificuldade, mas com muito amor envolvido.
Aos familiares de Antônio Lopes de Oliveira, um grande Soldado da Borracha, meu respeito, carinho e admiração.