×

Ponte inacabada amplia desconfiança em Epitaciolândia e levanta cobranças por transparência sobre recursos públicos

Ponte inacabada amplia desconfiança em Epitaciolândia e levanta cobranças por transparência sobre recursos públicos

Reportagem: Helizardo Guerra

A situação da ponte que deveria interligar Epitaciolândia aos demais municípios do Alto Acre voltou a provocar preocupação, dúvidas e desconfiança entre moradores. Um vídeo divulgado nas redes sociais, gravado pelo atual prefeito, apresenta justificativas para a não execução da obra. As explicações, porém, não parecem ter encerrado os questionamentos da população.

Entre as principais perguntas está justamente aquela que envolve o dinheiro público: o que aconteceu com os recursos destinados à construção da ponte?

A obra foi anunciada como uma intervenção importante para a mobilidade, a integração regional e o desenvolvimento do município. Entretanto, enquanto a ponte permanece sem cumprir a finalidade esperada, moradores querem saber com clareza quanto foi destinado, quanto foi efetivamente repassado, quanto teria sido utilizado e quais etapas da obra chegaram a ser executadas.

Nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, a cobrança ganhou força. Entre os questionamentos levantados pelos munícipes estão: quanto foi efetivamente recebido? Quanto foi pago? Quais serviços foram realizados? Quanto ainda permanece disponível? Existem medições, notas fiscais, contratos e relatórios de execução? Quem fiscalizou a aplicação dos recursos? E, principalmente, quem vai apresentar a prestação de contas à população?

A possível adoção de medidas para rescindir o contrato relacionado à obra acrescenta uma nova camada de incerteza ao caso. Se o contrato for encerrado, os moradores querem saber qual será o destino dos recursos já aplicados, o que será feito com os serviços eventualmente executados e se haverá uma nova licitação para que a obra possa ser retomada.

E aí aparece uma velha conhecida da administração pública: a promessa anda depressa, mas a prestação de contas precisa andar ainda mais rápido.

A população não está pedindo um favor. Está cobrando informação sobre recursos públicos que, segundo as informações divulgadas, teriam sido destinados à realização da obra. Quando se trata de dinheiro público, transparência não deveria depender de cobrança nas redes sociais, tampouco de pressão popular.

A cobrança também alcança o Poder Legislativo Municipal. Moradores questionam qual tem sido a atuação dos vereadores diante da situação e se a Câmara está acompanhando a execução, os contratos, os pagamentos e a aplicação dos recursos destinados à obra.

Também cresce entre os munícipes a expectativa de que os órgãos de controle competentes possam acompanhar o caso, caso sejam identificadas dúvidas ou inconsistências que necessitem de esclarecimento.

No meio de tantas perguntas, uma frase compartilhada por moradores resume o sentimento de parte da população:

“Quem vai pagar essa conta?”

A pergunta permanece sem resposta definitiva.

A ponte continua sem cumprir a função para a qual foi planejada, enquanto as explicações, até o momento, não parecem suficientes para afastar todas as dúvidas. E, diante disso, surge uma ironia que o contribuinte certamente gostaria de não precisar fazer:

a ponte não saiu do papel. Mas será que a prestação de contas vai sair?

Até que sejam apresentados documentos e informações oficiais sobre os recursos destinados à obra, os questionamentos continuarão fazendo parte do debate público em Epitaciolândia.

Mais do que uma disputa política, o que está em jogo é o direito da população de saber onde está o dinheiro, como ele foi utilizado, o que foi efetivamente executado e qual será o futuro da obra.

Porque, no final das contas, a população pode até esperar pela ponte. O que não deveria precisar esperar é pela transparência comentou um dos componentes do grupo de wattsap.