A “Peladeira de Arroz”

ICONES DE BRASILÉIA E EPITACIOLANDIA POR IVANA CRISTINA
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colunista: Ivana Cristina
Fatos e Relatos de Brasileia e Epitaciolândia

Os moradores antigos jamais irão esquecer da velha
“Peladeira de Arroz”, da antiga Vila Epitácio.
Ao registrar as histórias de José Cândido de Mesquita e Chaga Íduino, me veio à memória a antiga “Peladeira de Arroz”, localizada em Epitaciolandia, atualmente, no local funciona o Centro de Saúde José Cândido de Mesquita. Uma merecida homenagem a um homem que fez tanto pela nossa terra.
A Peladeira de arroz funcionava em uma estrutura rústica em formato de galpão, havia uma pequena janela de madeira, do lado esquerdo, onde a freguesia era atendida, a luz tênue proporcionava ao local um ar de mistério, diversas teias de aranhas penduradas, evidenciadas pelo pó de arroz, faziam parte do cenário, o barulho ensurdecedor da máquina, ecoava pelo espaço.
Na frente da peladeira, um frondoso pé de eucalipto, que as pessoas juntavam as folhas secas para fazer chá e ao lado, um resistente cajueiro, que as mulheres retiravam as cascas para fazer “cozimento” (um fato comum na época, o uso de plantas para fins medicinais).
Atrás da peladeira, uma nuvem de passarinhos degustava as palhas de arroz.
Seu Zé Tucum e Seu Chaga Íduino comandavam o árduo trabalho. Era uma barulheira só, o pó da palha do arroz subia para todos os lados, impregnando o lugar com um odor característico. Nenhum dos dois usavam proteção auricular, levando-os a uma surdez prematura. O Zé Tucum, quando olhava para a gente, quase não enxergava, os óculos recheados com aquele pó fino.
Recordo quando minha mãe pedia para irmos buscar pó de arroz ou xerém para as galinhas e porcos, que a gente criava. Lembro que quando meu pai faleceu, seu Chaga Íduino e Seu Zé Tucum doavam arroz para minha mãe. Um alimento que fez a diferença em nossas vidas. Hoje, olho para trás e agradeço esse gesto de gratidão a uma viúva(minha mãe )e suas cinco filhas .
O trabalho dessas dois homens eram desgastantes, mas foram essenciais para o desenvolvimento do município de Epitaciolandia.
Eu presenciei o barulho ensurdecesor da máquina, um tempo distante, mas ao mesmo tempo tão próximo de nós.
Assim como Seu Zé Tucum e Seu Chaga Íduino, a Peladeira de Arroz se foi, até o pé de eucalipto e cajueiro que existiam, foram tombados pelo tempo.
Só lembrança de um passado marcante na minha vida e de quem conheceu a famosa “Peladeira de Arroz”, seus admiráveis trabalhadores e seu funcionamento.

Parabéns Epitaciolândia!
Assim como você, seu povo tem história!