Reportagem: Helizardo Guerra
O município de Assis Brasil, localizado a cerca de 330 quilômetros de Rio Branco, voltou ao centro das atenções diante de uma sequência de episódios que, embora distintos, têm contribuído para ampliar o desgaste político e levantar questionamentos sobre a condução administrativa da atual gestão municipal.
Reeleito para o comando do Executivo, o prefeito Jerry Correia enfrenta um cenário marcado por decisões de órgãos de controle e pelo avanço de investigações federais. Recentemente, o Tribunal de Contas do Estado do Acre aplicou multa ao gestor pelo envio fora do prazo de informações obrigatórias referentes ao 1º bimestre de 2025. A penalidade foi formalizada no âmbito do Processo nº 149.471, por meio do Acórdão nº 5.816/2026/1ª Câmara, sob relatoria do conselheiro Antônio Jorge Malheiro, durante a 138ª Sessão Ordinária da Primeira Câmara.
Embora a sanção administrativa, de forma isolada, seja classificada como irregularidade de natureza técnica, o episódio se soma a um contexto mais amplo que vem sendo interpretado por setores da opinião pública como indicativo de fragilidades na condução da gestão.
Paralelamente, uma operação conduzida pela Polícia Federal elevou a temperatura política no município. No curso das investigações, a corporação chegou a solicitar a prisão preventiva do prefeito e de outros dez investigados, todos já alvos de mandados de busca e apreensão em fases anteriores. O pedido, no entanto, foi analisado pelo Judiciário e negado por uma desembargadora, decisão que, por ora, mantém os investigados em liberdade.
De acordo com informações apuradas, a Polícia Federal sustenta a existência de indícios considerados relevantes, o que motivou a solicitação das prisões. Ainda assim, com a negativa judicial, o caso segue em investigação e pode apresentar novos desdobramentos conforme o avanço do processo.
A sucessão de acontecimentos — que vai desde sanções aplicadas por órgãos de controle até o aprofundamento de apurações criminais — tem contribuído para um ambiente de incerteza administrativa e pressão política sobre a gestão municipal. Nos bastidores, cresce a percepção de que os episódios, ainda que não configurem condenações definitivas, acabam desgastando a imagem da administração, alimentando narrativas críticas quanto à eficiência, à organização administrativa e à transparência do governo local.
Enquanto isso, a população acompanha os desdobramentos à espera de respostas mais consistentes e de uma condução capaz de dissipar dúvidas e restabelecer a confiança na gestão pública.