Francisco Cruz dos Santos

ICONES DE BRASILÉIA E EPITACIOLANDIA POR IVANA CRISTINA
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colunista: Ivana Cristina
Colaboração: Eliana da Silva Santos
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia

Francisco Cruz era carinhosamente chamado de “Chico Cruz”, nasceu em 02 de fevereiro de 1952, no Seringal Montevidéu, em Brasileia. Desde criança gostava de trabalhar ajudando seus pais. Passou sua infância e adolescência no seringal, trabalhando na lida diária e cuidando de seus irmãos menores. A vida no seringal era difícil, mas nunca desistiu de seus objetivos. Desde criança tinha paixão pelo futebol, uma admiração que carregou para a vida e transmitiu aos seus descendentes.
Aos 25 anos casou-se com Maria Eunice da Silva Rodrigues e fixaram residência na colocação São José, no seringal, na Bolívia. Havia muito trabalho e pouco retorno financeiro. Sua esposa o ajudava, mas desbravar a selva boliviana era um desafio imenso. Longe de tudo e de todos, ele nunca “deixou-se levar” pelas dificuldades da vida. Trabalhar como seringueiro era desafiante, a imensidão e os perigos da floresta, faziam parte da sua rotina diária. Com a finalidade de buscar melhores condições de vida, mudaram-se para uma colônia, localizada na BR 317, Km 35, Estrada do Pacífico em Brasileia, foi lá que sua família cresceu e prosperou. Nasceram seus filhos: Eliana da Silva Santos, Elenilson da Silva Santos, Josiete Silva dos Santos e Maria Luana Silva dos Santos. Ele também era pai de Jakeline Oliveira dos Santos, de um relacionamento anterior. Aos 12 anos, Jakeline foi morar com família de seu pai.
No Km 35, onde morava, trabalhou como Agente de Saúde Rural,
logo ficou conhecido por todos naquela localidade, trabalhava com seriedade, dedicação e gostava de ajudar o próximo sem esperar nada em troca.
Em 1988, veio morar na cidade e passou a trabalhar na antiga SUCAM, hoje, FUNASA. Desempenhava seu trabalho com eficiência, despertando, admiração e o respeito dos seus colegas de trabalho.
Do ano 2000 a 2010, ele trabalhou e morou em Assis Brasil, prestando serviço aos povos indígenas. Serviço esse que ele fez com muita eficiência.
A estrada para Assis Brasil era de barro, o acesso era difícil. Chico Cruz preferia se deslocar para o município de barco. Levava e trazia as pessoas de Assis Brasil no seu barco e não cobrava por isso. Aliás, ele gostava de navegar no barco e pescar. Amava uma pescaria, à moda antiga, acampamento na beira do rio, fogueira, barracas e na companhia de seus amados filhos. E eles amavam acampar com o pai. Era uma diversão. Hoje, só lembranças!
Por onde passava, deixava saudades, era muito prestativo, as pessoas que vinham da zona rural ou de Assis Brasil, que não tinham “pouso” para ficar, ficavam em sua casa. As panelas sempre cheias de comidas, compartilhavam com todos, muitas vezes ele deixava de comer para que o hóspede não passasse fome.
Certa vez, estava andando pelas ruas de Brasileia, quando percebeu um senhor sem sandálias, caminhando no sol quente, sem pensar duas vezes, tirou suas próprias sandálias e deu-as àquele homem. O homem ficou feliz, mas contente ficou Chico Cruz com aquele simples gesto cheio de significado.
Chico Cruz foi candidato a Vereador em Brasileia, uma forma que encontrou de ajudar as pessoas, porém não foi eleito. Mas, viu seu sonho se realizando quando seu filho Elenilson, foi eleito Vereador com um número expressivo de votos.
Chico Cruz era um homem dedicado à família, criou seus filhos em meio às dificuldades da época, mas nunca faltou amor e carinho. Um homem que dedicou sua vida ao trabalho, família e ajuda ao próximo.
Seu passatempo, além de pescar, era assistir uma partida de futebol. Torcedor do Fluminense, gostava de assistir na televisão os jogos do seu time do coração, principalmente se fosse um clássico Fla x Flu em pleno Maracanã. Comemorava a vitória do Fluminense com muita alegria. Sua felicidade era contagiante.
Chico Cruz partiu no dia 03 de agosto de 2025, deixando sua família e amigos enlutados com sua breve partida. Foi um homem acolhedor, altruísta, um esposo amoroso, pai presente, avô dedicado, bisavô admirável e um sogro leal. Ele deixou saudades em nossos corações, seu sorriso tímido iluminava todos ao seu redor. Sua maneira simples de ajudar a todos, ficou marcada nas lembranças de quem o conhecia, um homem de bom coração.
Chico Cruz será referência para seus amigos, filhos, seus 12 netos e 04 bisnetos.
Um homem solidário, que amava a vida, a família e admirava uma bela partida de futebol.
A Família Cruz, meu respeito, admiração e carinho.