Reportage: Helizardo Guerra
“Você acredita nessas pesquisas? Você acredita?” A pergunta, feita durante uma entrevista ao senador Alan Rick no período da campanha ao Governo do Acre, ganhou um significado diferente após a divulgação dos resultados das urnas.
Durante a campanha eleitoral, levantamentos que apontavam vantagem de Mailza Assis sobre Alan Rick foram recebidos pelo senador com ironia, descrença e, em determinados momentos, gargalhadas. O tom adotado diante dos números transmitia a ideia de que aquelas pesquisas não refletiam, na avaliação do candidato, a realidade das ruas e das intenções do eleitorado.
Naquele momento, os números eram tratados com desconfiança. Depois que as urnas falaram, porém, o cenário mudou — e aquilo que antes parecia motivo de deboche passou a integrar o debate político.
A política, como se sabe, também é marcada por suas próprias ironias. O que hoje provoca risadas pode amanhã se transformar em cobrança, reflexão e explicação.
É nesse contexto que ganha força uma velha máxima popular: “a soberba precede a queda.” A frase não serve para decretar vencedores ou derrotados antes da hora, mas para lembrar que a política exige cautela, principalmente quando o eleitor ainda não foi às urnas.
É importante destacar que nenhuma pesquisa eleitoral é uma sentença definitiva. Pesquisas representam um determinado momento, obedecem a metodologias próprias e estão sujeitas a margem de erro e às mudanças de comportamento do eleitorado. A palavra final, entretanto, não pertence aos institutos de pesquisa, aos candidatos ou aos comentaristas políticos.
Pertence ao eleitor.
E é justamente por isso que fica uma pergunta no ar: se as pesquisas que apontavam vantagem de Mailza Assis eram recebidas com tanta descrença e provocavam ironias e gargalhadas, por que seus números passaram a ganhar tanta relevância depois que o resultado das urnas foi conhecido?
A questão não é defender pesquisa eleitoral como verdade absoluta. O ponto é outro: questionar os números quando eles são desfavoráveis é legítimo; ignorá-los, ridicularizá-los e depois utilizá-los como referência quando o resultado não corresponde à expectativa também merece ser discutido.
Entre uma ironia e outra, uma gargalhada e outra, a eleição deixou uma lição antiga — e que continua atual: pesquisa não coloca voto na urna, mas também não deve ser tratada como piada simplesmente porque apresenta um cenário que desagrada.
No fim da campanha, as urnas não riem, não ironizam e não fazem previsões.
Elas apenas contabilizam a escolha do eleitor.
E, depois que os votos são apurados, não existe pesquisa, deboche, gargalhada ou discurso capaz de mudar o resultado.