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Elyne de Assis Nogueira

Elyne de Assis Nogueira

colunista: Ivana Cristina
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia

Hoje, mais uma vida foi ceifada! Tiros pelas costas em uma menina que ousou sonhar e dizer “não”. Penso na mãe dessa menina linda. Que investiu seus sonhos e renuncias em ver sua filha formada em Medicina.
Quando inúmeras motos, bicicletas e carros atravessam a fronteira, todos os dias, não são apenas pessoas, são sonhos que os estudantes e as famílias carregam consigo. São bagagens de saudades, desafios e resiliência.
Doutora Elyne é filha de Mariney e Regis. Neta da Ilda e Chico Assis, família tradicional e bastante conhecida em Brasileia.
A imensa saudade que a mãe de Elyne de Assis Nogueira vai sentir todos os dias em ver sua filha, que ela criou com todo amor e carinho, teve a vida ceifada por mãos covardes é revoltante.
Ser mulher empoderada na sociedade de hoje, ainda incomoda. Incomoda seu sorriso, a maneira de ser e de se vestir. Incomoda dizer “não”. Incomoda deixar de ser uma boneca(linda, mas sem livre arbítrio)nas mãos de alguém que se diz “amar”.
Hoje, uma mãe chora! Como tantas mães choraram por ter a vida de suas jovens filhas ceifadas pelas mãos de “machos brabos e covardes”. Recordo de Vitória Salvatierra, de Brasileia e da Linda, minha amiga de infância, que foi assassinada nos anos 90 em Epitaciolandia. Ambas as mães choraram e ainda choram no túmulo de suas filhas.
As leis no Brasil, infelizmente são brandas para o feminicídio.
Tiros ecoaram em uma menina que só queria viver, trabalhar e servir ao próximo. Uma menina que atendia cada paciente como se fosse o único.
Que trazia esperança no sorriso diante do olhar desesperador de um paciente. Uma menina que honrava sua família e se derretia por sua avó Ilda.
Doutora Elyne que sua voz se junte a inúmeras vozes de outras mulheres que são perseguidas pelo simples fato de dizer: Não.
Que a mãe, Marines, que embalou Elyne nos braços, que a viu desabrochar e vencer na vida, meus sentimentos e a todos os pacientes, amigos e familiares que a admiravam e amavam-na, possa ver esse assassinato esclarecido. Para que a impunidade não seja o caminho para alguém que não ousou enfrentar de frente uma mulher e ceifou sua vida pelas costas.
A Família Assis e Rabelo meus pêsames.