colunista:Ivana Cristina
Ícones de Brasileia e Epitaciolandia
Volume III
Na década de 80, costumava ir ao cemitério com minha mãe em dia de finados. Ficava curiosa com a quantidade de velas acesas, flores, gente e as mangas madurinhas! Não é para comer mangas do cemitério que faz mal, dizia ela!
O dia de finados era um reencontro entre as famílias que não se viam há muito tempo. Principalmente no cemitério de Epitaciolandia. A rua da Vila Militar era coberta por uma areia fininha. Quando a gente andava, “atolava” os pés na areia quente, fofa e macia. O cemitério ficava longe do Centro da Vila Epitácio, hoje, a cidade cresceu e tem diversos bairros próximos ao cemitério.
Minha mãe falava de um túmulo, perto da cerca(onde hoje, ela se encontra no descanso eterno), do “finado Centenário”! Na época era um túmulo bem cuidado, hoje, jaz no esquecimento!
Os antigos moradores relatavam que “Centenário” era Delegado na pequena Vila Epitácio, “terra de homens bravos” como diziam antigamente.
O Delegado Centenário não estava de plantão naquele dia, mas, foram chamá-lo para “apartar” uma briga. De folga e sem camisa saiu de sua casa para resolver aquela briga na rua(Avenida Santos Dumont), quando lhe desferiram um golpe de faca, que o levou a óbito. Os moradores antigos relataram que saiu bastante sangue do corpo de Centenário. Uma cena que demorou a ser esquecida pelos que presenciaram aquela barbárie. Um grande homem tinha tombado, movido pelo dever e os bons costumes.
Hoje, dia de finados, ao olhar para o túmulo lembro daquela história contada pelos moradores antigos.
O túmulo está esquecido, mas, as lembranças de cada ano que vinha com minha mãe, Antônia Odete, permanecem. Um grande profissional! Um grande homem, que hoje, jaz em um túmulo esquecido no Cemitério de Epitaciolandia.